Sylvie Fleury

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Nasceu em 1961, em Genebra, Suíça, onde vive e trabalha.

Quando se fala de obra de arte, no contexto atual, falas-se de uma forma de mercadoria bastante abstrata, com seu valor financeiro determinado por fatores menos relacionados ao tempo e esforço empenhados em seu processo de confecção que ao nome do/a artista ou seus contatos sociais. Tendo tudo aquilo que é determinado como arte um status elevadíssimo para nossa sociedade em oposição às produções industriais para consumo em massa, é interessante perceber como, desde os ready-made (objetos prontos, industriais apresentados como obras de arte) de Duchamp, diversos artistas têm se ocupado em brincar com o cruzamento entre essas categorias. Sylvie Fleury é uma desses/as artistas plásticos/as contemporâneos/as que se ocupam dessas questões, e cujos trabalhos mais conhecidos incluem carros amassados pintados com cores de esmalte, sacolas de compras colocadas num canto da galeria , e textos em neon em paredes com mensagens como “Faster, Bigger, Better”, “Egoïste” ou “Yes to all”.

Em umas de suas obras, sem-título, 2000, em que Fleury pendura um vestido com estampa semelhante a um quadro da série “Composição” de Mondrian em uma galeria, ela afirma que um objeto feito em larga escala possa ser considerado arte, questionando a consagração da tela que originou a estampa além de transformá-la em algo conhecido como feminino. É como se, utilizando os clichês de feminino e masculino, a artista reclamasse um espaço em territórios onde homens são mais bem aceitos que mulheres, e um desses territórios, já sabemos, é a arte. O feminino vem associado, também, aquilo que tem menor valor comercial: um vestido é bem mais barato e fácil de ser adquirido do que uma tela do Mondrian. O feminino é mostrado como desvalorizado frente ao masculino, como baixa cultura, como algo menos intelectual, e não é esse o espaço ocupado pelas mulheres em nossa sociedade? A dificuldade aqui é que ao mesmo tempo em que uma obra põe em evidência algumas questões ela corre o risco de ser compreendida como uma afirmação, ou seja, a diferença entre crítica e reafirmação de uma realidade vai estar nos olhos de quem vê. Uma questão que acho complicada nesse no trabalho de Fleury, por exemplo, é o fato de tratar do masculino e do feminino, especialmente, com base naquilo que costuma ser consumido por cada um desses grupos. Algo como dizer “você é o que você compra”, o que acredito ser totalmente falso. Por outro lado, se esse fator for encarado como uma crítica à forma como estamos construindo nossas identidades, então se torna válido.

Tauana M.

Fontes:

FLEURY, Sylvie. Sylvie Fleury with Peter Halley. [2002]. Index Magazine. Entrevista concedida a Peter Halley, disponível em: http://www.indexmagazine.com/interviews/sylvie_fleury.shtml. Acesso em 3/12/2009.

GROSENICK, Uta (Org.). Mujeres Artistas de Los Siglos XX y XXI. Taschen.

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