Francesca Woodman

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Nasceu em 1958, em Denver, Estados Unidos e faleceu em 1981.

Francesca Woodman produz suas imagens no contexto das lutas feministas norte-americanas e trabalhos artísticos realizados por mulheres como Judy Chicago e Hannah Wilke, que discutiam e questionavam as representações do corpo feminino e a condição da mulher na sociedade.

A auto-representação por meio do nu não necessariamente erotizado aliada às questões de intimidade e memória marcam a obra da artista. Francesca expõe seu corpo enquanto artista e sujeito do próprio trabalho, e contrariando a tradição da “mulher nua-objeto-erotizado sujeito do olhar masculino”.

Trabalhou principalmente com a fotografia em preto-e-branco de médio formato. Os inúmeros auto-retratos performativos marcam sua obra. A escolha de si como sujeito – na maior parte de seus trabalhos, já informa a escolha da fotografia enquanto movimento do íntimo – olhar não direcionado aos outros – distante de qualquer sensação de voyerismo na sua auto-representação. Captura-se o “eu” e não o “outro” pelo “meu” olhar, sem a distância habitual criada entre quem fotografa e quem é fotografado.

A artista não faz uso da nudez de seu corpo enquanto espetáculo no processo de auto-conhecimento pela auto-exposição. O corpo da mulher é mostrado enquanto corpo presente, sem a necessidade de imeditada vinculação à sexualidade e ao erotismo. A nudez aparecendo como apresentação crua do ser. A mulher nua e crua, sujeito de sua experiência estética. Dessa maneira, cria auto-retratos em termos psicológicos que não que objetivam o físico estritamente.

A obra de artista inevitavelmente remete às questões do tempo e da memória. Isso se dá pela escolha de cenários abandonados, casas, ruas e paredes marcadas pelo tempo. O movimento do ser mostrado enquanto efêmero, não-congelado. Sua imagem é difusa e evanescente, pela sua escolha em utilizar-se de tempos de exposição longos para a movimentação que desenvolve em frente à câmera.

Essa escolha por esse efeito ocasionado pelos tempos de exposição é importantíssima para se pensar a sua poética. Woodman cria fantasmas. Um fantasma é o ausente que se faz presente, o oculto, a lembrança, que se apresenta, no caso das fotografias de Francesca, numa particular materialidade quase transparente, ausência e presença sobrepostas.

A artista constrói cenas surrealistas em seu trabalho, em termos de realidade construída – real re(a)presentado de forma não-realista e não-convencional. Em muitas de suas fotografias o rosto aparece coberto, desfocado ou não-enquadrado.

Ana C.

2 comentários em “Francesca Woodman”

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