Hannah Höch

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Nasceu em 1889 em Gotha, na Alemanha, foi pioneira da fotomontagem e integrante do grupo dadaísta berlinense entre 1917 e 1922. Höch sobreviveu ao regime nazista na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, durante a qual manteve um acervo de arte dadaísta que possibilitou o reconhecimento do grupo após a guerra. Apesar de sua importância para o movimento teve seu trabalho reconhecido apenas em 1971, quando foi feita sua primeira exposição retrospectiva. Até então, Höch era citada apenas como companheira de Raoul Haussman ou como mera mão-de-obra do grupo dadaísta.  Hanna Höch morreu em 1978, em Berlim, Alemanha.

O dadaísmo tem como seu marco inicial a fundação do grupo Cabaret Voltaire, em 1916, em Zurique, e é conhecido por ter promovido manifestações caóticas, que contestavam, além da própria arte, os valores de uma época marcada pela guerra. Segundo Argan, a tese dadaísta era a de “considerar falsa a direção tomada pela civilização, e encarar a guerra como a conseqüência lógica do processo científico e tecnológico; era preciso, portanto, negar toda a história passada e qualquer projeto de uma história futura, e voltar ao ponto zero.” (p. 356)

Com isso em mente, é possível analisar alguns dos trabalhos de HannahHöch como críticas e apontamentos específicos sobre a situação das mulheres no período em questão, compreendendo a relação de poder entre homens e mulheres como parte da história que precisa ser negada. Várias de suas fotomontagens possuem figuras femininas como protagonistas, como Mutter (1930), ao lado, por exemplo, onde há uma figura com torso feminino que parece demonstrar cansaço e uma face coberta por uma máscara. A boca e os olhos estão visíveis, porém sua identidade é escondida… ou será que sua identidade passou a ser o que a máscara apresenta? Será que ela percebe essa máscara que cobre seu rosto? A própria Hannah vivia em um meio predominantemente masculino – o artístico – e sofreu diversas conseqüências por ser uma das poucas mulheres que se aventuravam nele, tendo sua identidade como artista até certo ponto apagada, encoberta.

A opção por trabalhar com fotomontagens traduz em parte o propósito dadaísta de questionar a arte, ao juntar pedaços de imagens de revistas, um meio de comunicação de massa, para produzir seus trabalhos. O resultado são figuras fragmentadas, bem como estava (está?) a sociedade. Seu trabalho Schintt mit dem Küchenmesser durch die letste Weimarer Bierbauchkulturepoche Deutsschlands (1919), ao lado, retrata bem a bagunça, a falta de lógica, a fragmentação, as máquinas e multidões que compõem um cenário sufocante e insano. Olhar algum tempo para esse trabalho me faz acreditar que se eu olhar demais posso me prender numa espécie de sonho cruel, onde as pessoas são menos pessoas que tentativas de ser e nada parece possibilitar o mínimo dos prazeres. Tenho a impressão de que após algum tempo nesse mundo que Hannah Höch (re)produz eu me esvaziaria de sentido e me juntaria às figuras tristes que ali estão, perseguindo mecanicamente algum objetivo inútil até o fim de minha existência…

Tauana M.

Fontes:

GROSENICK, Uta. Mujeres Artistas de Los Siglos XX y XXI. Taschen.

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann e Frederico Caroti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Link:

THE INTERNATIONAL DADA ARCHIVE [Arquivo internacional Dada] – em inglês, com textos disponíveis para download em alemão e francês, incluindo imagens de revistas dadaístas. http://sdrc.lib.uiowa.edu/dada/index.html

3 comentários em “Hannah Höch”

  1. BEM FORTE ESSA DA MULHER COM A TESOURA. QUE FODA, PARABÉNS. MAS A MINHA IMPRESSÃO DELA É DIFERENTE: PARECE QUE, QUANDO VOCÊ OLHA, VOCÊ TEM A ESCOLHA DE PERMANECER BEM AO LONGE, ADMIRANDO ALGO ALHEIO, NADA A VER COM VOCÊ, ENQUANTO AS IMAGENS SÃO TÃO PRÓXIMAS E RIEM E ZOMBAM DE VOCÊ. VOCÊ SE MOVE PARA A PRÓXIMA, MAS A OUTRA AINDA ESTÁ LÁ, RINDO, PENSANDO “QUANDO É QUE ELE VAI SE DAR CONTA?”

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