Márcia X.

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Nasceu no Brasil e faleceu em 2005.

A artista trabalha com performance, instalação e objetos, sendo que, em alguns casos, sua ação performática resultava numa própria instalação com os resquícios dessa ação como nas obras Desenhando com Terços¹(2000) e Pancake (2001).

Márcia Pinheiro adota o X em seu pseudônimo em razão de uma querela com uma estilista homônima por conta da repercussão de uma de suas performances em uma coluna social. O X da artista é múltiplo: enigmático, símbolo de variável na matemática e, em trio, pornográfico (XXX).

A respeito de sua trajetória artística, Márcia X tece algumas considerações: “No princípio dos anos 90, realizei instalações e performances que têm como principal estratégia transformar objetos pornográficos em objetos infantis e objetos infantis em objetos pornográficos, fundindo elementos que estão situados por convenções sociais e códigos morais em posições antagônicas.”²

Utilizando-se de elementos que fazem relação com infância, sexualidade, religião, gênero, misoginia e sexualidade, a artista aborda tabus e a moralidade do ocidente (brasileiro) católico. Talvez por esse fato, sua obra não tem o devido reconhecimento no país. Uma delas, Desenhando com Terços, aliás, foi censurada numa exposição de arte erótica por pressão de grupos católicos e empresários no CCBB em 2006, culminando no cancelamento da mesma.

Em sua Fábrica Fallus (série de 1992-2004), Márcia adorna falos de silicone com penduricalhos, objetos católicos, brinquedos sexuais e brinquedos infantis transformando-os em falos-brinquedos-eróticos. A Fábrica Fallus, ao contrário do que se esperaria de uma fábrica, customiza artesanalmente objetos industriais, artificias.

Aponta talvez a maleabilidade artesanal da construção de sujeitas/os que se confontra com a visão de fixação dogmática da “moral e dos bons costumes” unindo e confrontando símbolos do sagrado e do profano católicos. A associação, nesse trabalho da artista, de símbolos católicos com falo/poder e opressão da sexualidade especificamente da feminina é frutífera: Eva, Madalena e outras que o digam. Márcia articula e joga com todo um conjunto complexo de objetos, dando margem a uma vasta gama de interpretações.Cabe, em relação com a questão anteriormente colocada, pensar  na construção de idéias a respeito das masculinidades, feminilidades além de sexualidades.

¹Vídeo da performance/instalação Desenhando com Terços (2000): http://www.youtube.com/watch?v=TFxO0zpOalI

²Márcia por Márcia. http://www.marciax.art.br/mxText.asp?sMenu=3&sText=16

Referências

http://www.marciax.art.br/mxText.asp?sMenu=3&sText=26

http://www.marciax.art.br/mxText.asp?sMenu=4&sText=46

http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/2006/06/13/ult100u5100.jhtm

http://www.gravuracontemporanea.com.br/reportagemnoticia.asp?id=252

http://www.sescsp.org.br/…/20060710_143439_Ens_MarciaX_CadernoVB1_P.pdf

Ana C.

4 comentários em “Márcia X.”

  1. Massa, Luiz! As sugestões já foram pra nossa lista!Ficamos felizes em saber que você está gostando 🙂

    Franklin: A obra é muito forte e conceitualmente nos sugere muita coisa…que bom que gostou! 🙂

  2. O X da artista é múltiplo: enigmático, símbolo de variável na matemática e, em trio, pornográfico (XXX). Na verdade, o caso é mais simples: ela foi casada com o multiartista e poeta Alex Hamburger. Seu apelido origina-se daí: ela ficou conhecida como Márcia X-burger.

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