Claude Cahun

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Nasceu em Nantes, França, em 1894 e faleceu em 1954.

Misture as cartas. Masculino? feminino? Depende do caso. Neutro é o único gênero que me cabe. Se existisse na nossa linguagem não haveria essa ambigüidade no meu pensamento. Eu seria uma abelha trabalhadora de uma vez por todas. – Claude Cahun em avec non avenus, 1930.

Claude Cahun foi umx artista um tanto distintx, que escolheu esse nome justamente por sua ambigüidade de gênero.  Originalmente chamadx Lucy Renée Mathilde Schwob, elx passou por Claude Courlis e Daniel Douglas até escolher o nome com que ficou mais conhecidx. Exatamente por essa escolha e pela dúvida gerada em torno de sua identidade de sexual e de gênero (algumas pessoas x consideram transexual FTM  e outras a consideram uma mulher lésbica que brincava com os gêneros) que escolhi tirar desse texto as desinências de gênero, substituindo-as por x.

Filhx de uma mulher com transtornos mentais, Cahun foi criadx pela avó, Mathilde Cahun, e desde 1912, com 18 anos, trabalhou com auto-retratos em que assumia identidades distintas. No início dos anos 20, elx foi para Paris com sua parceira e quase-irmã (os pais se casaram) com a qual se relacionou durante toda a vida, Suzanne Malherbe. Suzanne colaborou com Claude em diversos trabalhos escritos, esculturas e fotomontagens, adotando o também ambíguo nome Marcel Moore. A respeito de hetero e homossexualidade Cahun diz o seguinte:

“Minha opinião sobre homossexualidade e homossexuais é exatamente a mesma que a minha opinião sobre heterossexualidade e heterossexuais. Tudo depende dos indivíduos e das circunstâncias. Eu reivindico uma liberdade geral de comportamento”. Calude Cahun, 1925.

Em 1932 Cahun entrou para a Association des Ecrivains et Artistes Révolutionnaires [Associação de Escritores e Artistas Revolucionários] onde conheceu André Breton e René Crevel e começou a se associar ao grupo surrealista. Elx participou de diversas exposições surrealistas, como London International Surrealist Exhibition [Exposição surrealista internacional de Londres] e Exposition surréaliste d’Objets [exposição surrealista de objetos], em Paris.

Claude Cahun e Marcel Moore se mudaram para Jersey em 1937 e, com a ocupação da Alemanha nazista, o casal ia para eventos militares colocando panfletos anti-guerra estrategicamente nos bolsos do oficiais, em seus acentos, carros e janelas. Esses panfletos, no geral, eram feitos a partir de relatórios da rádio BBC com as atrocidades cometidas pelos nazistas, traduzidos do alemão, recortados e montadas como poemas altamente críticos. A dupla foi presa e ambxs condenadas a morte e, embora a sentença não tenha sido executada, a saúde de Cahun ficou bem debilitada durante a prisão e elx acabou falecendo em 1954. Seu corpo está enterrado ao lado do de sua parceira.

O trabalho escrito de Cahun inclui uma série de artigos e ensaios publicados em revistas e jornais da época, além de livros como Avec non avenus” (1930), com  registros de sonhos e ensaios, ilustrado com fotomontagens , e “Heroines” (1925), que contém uma coletânea de monólogos de personagens femininos mal-compreendidos de contos-de-fada, como Judith, Sappho, Cinderela e Eva. De acordo com Cahun o “Feminismo já está nos contos-de-fada”. Moore, que era artista gráfica, fez as ilustrações desse livro, como a que se encontra ao lado.

O trabalho mais conhecido dx artista são as fotografias em que elx se retrata ora de forma andrógena,  ora mais marcadamente masculina ou feminina. Ao contrário dos outros componentes do grupo surrealista parisiense que retratavam mulheres como símbolo do erotismo, Claude explorava diversas versões do feminino, diversas formas de existir. Tratar de política, ser judia,  transitar por gêneros e possuir uma sexualidade não-normativa além de trabalhar uma poética trans parece ter lhe rendido um empurrão para fora da história da arte.

Tauana M.

Fontes:

Guerrilla Girls. The Guerrilla Girls’ Bedside Companion to the history of western art. Penguin, 1998.

http://fotoclubef508.wordpress.com/2009/03/29/claude-cahun/ (português)

http://www.all-art.org/art_20th_century/cahum1.html (inglês)

http://www.queerculturalcenter.org/Pages/Tirza/TirzaEssay1.html (inglês)

http://www.answers.com/topic/claude-cahun (inglês)

Uma consideração sobre “Claude Cahun”

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