Performance: alguns apontamentos sobre o conceito e o histórico do gênero.

Performer Marina Abramović

Conceito

A exatidão e o delineamento completo do conceito de performance, creio eu, conduziria a uma restrição exarcebada. E por crer que o gênero em si é de uma amplidão interessante, parto do conceito simples de que a performance é um corpo humano realizando uma ação consciente, embuída de um discurso, que muitas vezes tem algo de ritualístico. Cada gesto pensado, cada objeto utilizado e cada detalhe de movimentação corporal tem um potencial discursivo dentro do conjunto e da experiência.

Histórico

Glusberg, em seu livro “A arte da Performance” esboça uma “pré-história” desse gênero artístico, vinculando o seu aparecimento formal no anos setenta  a diversos movimentos e ações anteriores como o Futurismo, o Dadaísmo, o Surrealismo e a Bauhaus dentro do contexto ocidental. Aponta também as influências do kabuki e do japoneses, e, anteriormente a todos esses, aos rituais tribais de diversas culturas. Nesse histórico, o autor vai situando a performance art como gênero, sendo relacionada com uma profusão de outros gêneros tais como: pintura, o happening, teatro e etc.

A performance em si é efêmera, transitória e o ato performático é inapreensível por diversas mídias em termos da totalidade da manifestação. Como aponta Cristina Freire(2006): “As proposições conceituais negam a aura de eternidade, o sentido do único e permanente e a possibilidade de a obra ser consumida como mercadoria. É nesse momento em que as performances, instáveis no tempo, e as instalações, transitórias no espaço, tornam-se poéticas significativas. A efemeridade das propostas sugere a mais íntima relação entre arte e vida.”

Mesmo com a afirmação de que as performances não podem ser consumidas enquanto objetos artísticos – e realmente não o podem porque não são captadas em sua totalidade, somente enquanto experiência completa em presença elas o são – as instituições de arte ocuparam-se, no início da aceitação do gênero, de adquirir “objetos utilizados como apoio às performances, carregando a aura de terem sido usados, e, portanto, se transformando em relíquias cuja natureza artística tinha que ser explicada pela descrição das performances que ajudaram a realizar.”(DANTO, 2010).

Ana C.

Referências Bibliográficas

GLUSBERG, Jorge. “A Arte da Performance”. São Paulo, Perspectiva, 1980.

FREIRE, Cristina. “Arte Conceitual”. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2006.

DANTO, Arthur C. “Perigo e Perturbação: A arte de Marina Abramović”. Back do Simplicity. Pg 21.

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