Guerrilla Girls – Como estão as coisas para as mulheres artistas hoje?

Esse texto foi traduzido por nós do blogue e consta no livro de 1998 do coletivo de artistas feministas Guerrilla Girls chamado The Guerrilla Girls’ Bedside Companion to the History of Western Art (Guia de Bolso das Guerrilla Girls para a História da Arte Ocidental).  Alguns dos itens dizem respeito à realidade norte-americana e européia, porém o texto traz importantes pontos a respeito das mulheres artistas e sua produção relacionadas ao meio artístico, ao mercado de arte e às instuições artísticas.

Tem sido bom…

• Mais arte feita por mulheres tem sido mais exibida, analisada e
colecionada que nunca. Negociantes, críticxs, curadorxs e colecionadorxs
estão lutando contra seus próprios preconceitos e efetuando ações
afirmativas para mulheres e artistas negras. (As Guerrilla Girls tem algum
crédito por isso. )
• Todxs, exceto alguns misóginos intransigentes, acreditam que existem – e
existiram – grandes mulheres artistas. Finalmente, as mulheres podem se
beneficiar de influências e mentoras de seu próprio gênero.
• As feministas transformaram os campos da arte, história e filosofia,
abrindo espaço para o ponto de vista do “outro” (somos nós, gatoras).
Elas tornaram as pessoas conscientes de que o que a maioria de nós
aprendeu como uma realidade objetiva é, na verdade, uma realidade
branca e masculina.
• Recentemente, houve mostras de artistas abertamente gays e lésbicas, e
mostras que procuram explorar a sensibilidade homossexual.
• A era dos ismos acabou. Alguns arte historiadorxs ainda se agarram a
idéia de que há uma tendência artística geral, que a arte se desenvolve
linearmente dx artista A para x artista B. Na atual era pós-moderna,
mais tipos de práticas artísticas e mais tipos de artistas são aceitas e
registradas na história. Isso está criando uma imagem mais verdadeira e
rica do presente e do passado.

Tem sido ruim…

• Mulheres artistas ainda tem seu trabalho menos colecionado e exposto.
O preço de seus trabalhos quase nunca é tão alto quanto os de homens
artistas brancos. As professoras de arte quase nunca tomam posse e seus
salários comumente são menores que seus colegas homens.
• Os museus ainda não compram arte feita por mulheres o bastante, mesmo
sendo uma barganha! Nosso pôster de 1989 “Quando o racismo e o
sexismo não estiverem mais na moda…” apontou que a quantidade de
dinheiro gasta num leilão em apenas uma pintura de Jasper Johns seria
suficiente para comprar o trabalho de cada mulher artista nesse livro! (ver pôster abaixo).

•Ainda há uma hierarquia de linguagens artísticas, com a pintura a óleo
sobre tela figurando no topo. Outros meios – como escultura, desenho ,
fotografia, instalação e performance – não possuem o mesmo prestígio.
Ironicamente isso facilitou a entrada de mulheres nesses campos.
• Museus e galerias na Europa e em Nova Iorque são os piores. Todos as
nossas pesquisas indicam que quanto mais distante de Nova Iorque e da
Europa Ocidental, melhor fica para artistas mulheres e negrxs.
• Embora o ocidente tenha perdido parte de sua hegemonia cultural, a
arte da Ásia, África e Américas ainda não possuem igual status ou são
ensinadas com a mesma freqüência que a arte européia.

Tem sido feio…

• Mulheres negras no estão na base da pirâmide do prestígio artístico e
tem mais dificuldade em ter seus trabalhos expostos. Quando os mesmos
são exibidos, comumente são como símbolos: nunca parece haver espaço
para mais de dois ou três em mostras prestigiosas como o da Bienal de
Whitney e da Bienal de Veneza e etc.
• Algumas mulheres ainda acham que o feminismo é algo do qual tenham
que se envergonhar.*
• Mulheres artistas e teóricas ainda estão discutindo sobre se há uma
sensibilidade feminina essencial ou se o feminino é uma construção
cultural. Conselho das Guerrilla Girls: concorde em discordar, encontre
convergências e siga para coisas mais importantes.

* Neste item há um trocadilho que só é plenamente compreendido no inglês, ligado a uma expressão com a letra “f” de “fuck” que é a mesma de feminism (feminismo) denotando pudor.

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