Artemísia Gentileschi

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Nasceu em 1593 em Roma, Itália, e faleceu por volta de 1652 em Nápoles, Itália.

Artemísia Gentileshi é uma pintora que se destaca em alguns aspectos, sendo um deles o fato de, na Europa do século XVII, conseguir viver financeiramente independente e através de um ofício muito raramente realizado por mulheres. Além disso, suas pinturas retratavam cenas mitológicas ou bíblicas e eram, no geral, bastante violentas, o que não era considerado muito apropriado para uma mulher. Ainda assim, ela impressionou vários colegas da categoria (muito embora houvessem aqueles que rejeitassem seu trabalho simplesmente por pensarem que mulheres não devessem se dedicar a essa tarefa) e nobres que encomendavam seu trabalho com freqüência. Ela viajou bastante tendo morado por períodos de tempo em Roma, Florença, Veneza, Nápoles e Londres, onde trabalhou na corte do rei Carlos I.

Um fato bastante comentado e documentado de sua história é o estupro que sofreu aos 17 anos de idade por seu professor de perspectiva, Agostino Tassi, que, a propósito, foi acusado de encomendar o assassinato de sua esposa. Ele trabalhava junto de seu pai Orazio Gentileschi, também pintor e com quem Artemísia aprendeu a pintar. A maior parte das artistas mulheres de períodos anteriores ao modernismo ou eram filhas de pintores, como Artemísia, ou tiveram uma carreira como modelo vivo e daí conseguiram entrar nos ateliês e aprender o que queriam.

O pai de Artemísia, Orazio, levou o caso do estupro para julgamento e no processo o tribunal da inquisição torturou a artista para descobrir se ela não era uma prostituta, o que, para esse tribunal, significaria que o ocorrido era culpa dela ao invés do agressor (qualquer semelhança com a mentalidade atual a respeito de violência sexual contra mulheres não é mera coincidência). A tortura feriu seus dedos, mas ela continuou pintando. Apesar de considerada inocente, a reputação de Artemísia ficou marcada para sempre como uma mulher fácil. O agressor foi condenado, mas absolvido depois de 18 meses preso. Logo em seguida ao julgamento a artista se casou com Pietro Antonio di Vicenzo Stiattesi com quem mais tarde teve uma filha chamada Palmira.

As pinturas de Artemísia têm forte influência de Caravaggio, de quem o pai foi seguidor em termos de estilo, e possuem como traço marcante a ênfase nos dilemas psicológicos vividos pelos personagens representados. Os nus femininos, bastante presentes em sua obra, foram uma estratégia interessante utilizada pela artista, que, por ser mulher, tinha a possibilidade de trabalhar com modelos nuas e estudar melhor a anatomia feminina, representando-a de forma mais realista.

Outras mulheres pintavam no mesmo período, mas não como Artemísia Gentileschi. Elas normalmente pintavam flores ou crianças, temas considerados apropriados para mulheres, e não entravam numa academia de arte (em 1616 Artemísia foi a primeira mulher a ser admitida na Academia del Disegno de Florença) ou recebiam encomendas de nobres por seus trabalhos. Já ela, tão guerreira como suas protagonistas, abriu caminho para que outras pudessem também trabalhar com temas diversos e pudessem exercer a pintura como profissão. Felizmente, após um grande período no esquecimento (muitas de suas pinturas, inclusive, tinham sido atribuídas ao pai), seu trabalho chegou ao nosso conhecimento.

Tauana M.

Fonte:
Harris, Ann Southerland; Nochlin, Linda. Women Artists 1550 – 1950

Links (todos em postuguês):
http://pt.wikipedia.org/wiki/Artemisia_Gentileschi

http://sededeque.com.br/2010/09/782/
http://www.etudogentemorta.com/2010/04/artemisia-gentileschi/

http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/a-mulher-que-transcendeu-o-seculo-xvii-atraves-da-arte

Postagem do Viva la Vulva que comenta um de seus trabalhos e sua história:
https://fissuraa.wordpress.com/2011/06/18/violencia-sexual/

Uma consideração sobre “Artemísia Gentileschi”

  1. Ela teve 4 filhos 3 morreram e nenhuma era Palmira. A que restou se chamava Prudenze como a mãe de Artemisia , falecida quando ela ainda era menina.

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