Nós tantas outras – mulheres e novos imaginários

nós

Olá querides!

No começo do mês de março nosso coletivo foi um dos doze selecionados para participar do 2° Encontro internacional Nós tantas outras – mulheres e novos imaginários, organizado pelo SESC – São Paulo e produzido em parceria com a DB Produções. 

O evento durou quatro dias e abriu as inscrições ao público algum tempo antes pra quem quisesse participar em algumas (ou em todas) dos tipos de encontro: nas apresentações dos coletivos ou nas conferências, mediadas por Bianca Santana, em que três ativistas falavam de sua atuação/pesquisa, dentro de um tema proposto. 

As apresentações dos coletivos aconteciam durante a tarde e foram divididas em três Grupos de Trabalho mediados por uma pesquisadora. Foram eles: 

. Saberes, ciências e tecnologias – mediado por pela Ana Clara Araújo

. Representatividade, representação e identidade – mediado pela Juliana Gonçalves

. Produção artística e política cultural – Mediado pela Danielle Almeida

O Fissura, ali representado por mim, teve a honra de participar no GT Produção artística e política cultural. E porque honra, se todos foram maravilhosos? Eu vou puxar a sardinha pra cá e dizer que tivemos a mediação da Danielle Almeida. Se todas as mediadoras são incríveis? É claro que sim. Acontece que a mediação da Danielle, cantora e intelectual que atua há anos na área de Artes Visuais, oxigenou por demais meu pensamento em relação aos limites das obras que circulam em espaços institucionais e sobre a relação entre o mercado da arte e o trabalho produzido por artistas negras/os/es. Também trouxe questões interessantes sobre a apropriação institucional, o que discutimos bastante no Fissura.

Além disso, dividi esse GT com a maravilhosa Maria Izabel Lourenço, que é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro, representado o Grupo de Teatro do Oprimido Marias do Brasil (RJ), com a Fatinha Gomes, do coletivo Cantando Marias (CE), a Flávia Biggs do Girls Rock Camp Brasil (SP), a Luzitânia de Jesus Silva, do Grupo Meninas e Mulheres Empoderadas (BA). No mesmo GT também estavam a Dandara Kuntê do coletivo #EuTrabalhadoraPeriféca (SP), a Sandra Maria Job do grupo de teatro Mulheres Marajoaras em Cena – MMEC (PA), a artista Charlene Bicalho do Coletivo Raiz Forte (ES) e a Lídia Rodrigues do Tambores de Safo (CE). 

Na responsa de representar nosso coletivo contei brevemente nossa história, desde a criação do coletivo (antes chamado Viva la Vulva) em 2009, passando pela criação do blog e a nossa mudança para o nome Fissura até o momento daquela apresentação. 

Um dos slides falava sobre nossa primeira postagem (que você pode rever aqui) e quais eram nossos primeiros objetivos assim que criamos a página. 

Logo depois, fiz uma fala sobre o que está em jogo no nosso trabalho, de difundir trabalhos de mulheres artistas; o que está em jogo quando disputamos a difusão, quando disputamos a imagem e, portanto, as narrativas. A resposta mais simples, e não posso deixar de lembrar da formação que fiz em Museologia Social no Rio de Janeiro pela Rede de Museologia Social do Rio de Janeiro: o que está em jogo é disputa pela memória. Pra falar dessa questão coloquei no slide a imagem da pintura The beautiful ones 5, de Njideka Akunyili (vocês podem conferir aqui a tradução que fiz de uma entrevista com ela). 

Para além do GT do Fissura, estive também um um dia de cada GT para prestigiar coletivos que atuam em outras frentes, mas que dialogam tão intimamente com o que é essencial de nosso trabalho aqui que me senti no lugar certo. 

Essa sensação, de estar no lugar onde você deve estar, acontecia todos os dias no café da manhã do hotel, onde estávamos todas hospedadas. Éramos muitas, muitas mulheres, de classes sociais diferentes, mas poucas de nós teríamos como pagar a hospedagem em um hotel como aquele. Isso significa que a gente destoava, que nossas mesas, ao lado uma da outra, estavam com mulheres que falavam e riam alto (que a alta burguesia é muito comedida pra isso – sabemos), em línguas diferentes e sotaques. Talvez a única mesa (no que observei – e olha que é sempre a primeira coisa que eu observo!) onde se juntavam as mulheres negras e indígenas hospedadas no hotel – salvo por duas dançarinas negras que estavam se apresentando no SESC naquela época (e sentavam junto com a gente). Então eu chegava pra tomar café e tinha essa rara sensação de adequação quando olhava meu lugar junto à mesa das ativistas e artistas dissonantes.

O evento não só oxigenou meu pensamento como reforçou nossa convicção em relação ao Fissura e suas propostas, a essa página aqui e ao que ela propõe: difusão e criação de novos imaginários para um outro viver possível.

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Nina Ferreira

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