Diana Salu

por Nina Ferreira Barreto

 

 

JuliaSalustiano-8452
Créditos: Júlia Salustiano (@juliasalustiano)

 

“O Caminho é o Vazio

E seu uso jamais o esgota

É imensuravelmente profundo e amplo

Como a raiz dos dez mil seres”

Tao Te Ching – Cap 4

Diana Salu (Distrito Federal) é quadrinista e designer, poeta. Seus trabalhos transitam pela escrita e o desenho, a lógica da pintura nas manchas de cor e a fotografia.

Publicou Maré, em 2017 e Barragem em 2018. Também em 2018, pela coleção Escrevivências da padê editorial, lançou o livro Cartas para ninguém. Poderíamos dizer que é um livro-poema e prosa em quadrinhos? Explico, nas próximas linhas, minha pergunta.

Uma característica do trabalho de Diana é criar espaço a partir de seus desenhos e palavras, muito mais que encarrilhar, por assim dizer, uma narrativa. Como uma porta a qual, uma vez que abrimos, encontramos o mundo e melhor: o vazio. Melhor porque vazio também é de onde vêm todas as coisas. Algumas perguntas também são assim: muito mais que pequenos cubos onde um única resposta possível preencheria o espaço entre as seis faces, algumas perguntas são a porta na beira de um abismo feito para a gente saltar.

Desenhando ruínas, cascas, crostas, Salu se pergunta sobre as suas próprias crostas, cascas e ruínas e sobre as que tem em comum com o universo ao redor.  Desenha imensas paisagens montanhosas para olhar pra dentro.

0018
do livro Cartas para ninguém. 2018, cole-sã Escrevivências, padê editorial.

Na página dezesseis de Cartas para ninguém, a artista apresenta uma série de quadrinhos sem ilustração ou onde a ilustração é o próprio vazio-névoa do retângulo acinzentado abaixo das palavras. Ao mesmo tempo é uma ode ao processo, à  transitoriedade criativa. 

decifro-me_nanquim_02_cor_margem-branca
decifro-me. nanquim sobre papel.

Tal qual Manoel de Barros e seu interesse por aquilo que está sempre perto e ao mesmo tempo fora da ordem utilitária, por isso o simples extraordinário, Diana nos apresenta o interesse por todas as perguntas sem resposta, pela prevalência dos caminhos sobre as chegadas, pelo oroboros alado que é, afinal, ela própria: o “ninguém” ao qual escreve, o universo e todas as pessoas atravessando; todas as plantas habitando a construção civil, os tons terrosos de seus pássaros em pastel.

Acompanhe o trabalho de Diana Salu: https://www.instagram.com/diana.salu/

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s