Mapeamento Nacional de Mulheres nas Artes Visuais

O Fissura está realizando um mapeamento nacional das profissionais que atuam em segmentos que compõem a cadeia produtiva das Artes Visuais: artistas, curadoras, fotógrafas, produtoras culturais e técnicas de montagem, entre outras.

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O mapeamento busca a promoção da equidade de gênero nas profissões da cultura no âmbito das Artes Visuais, fornecendo dados para a possível contratação dessas profissionais. Acreditamos também que, por meio do acesso ao banco de dados que se formará com as inscrições, será possível fortalecer também o fomento da equidade racial dentro da área.

Futuramente os dados coletados estarão disponíveis para consulta em nossa plataforma.

https://bit.ly/mulheresnasartesvisuais

Daisy Serena

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Daisy Serena é fotógrafa, poeta, artista e ativista visual. 

Trabalha com cinema, vídeo arte, vídeo-clipe, registros fotográficos tanto de eventos como de espetáculos teatrais e musicais; em 2017 publicou o livro Tautologias, pela padê editorial e tem um extensa produção de colagens digitais, além das colagens com matrizes físicas.

Em seu canal no Instagram  podemos ter acesso a seu portfólio: lá ela divulga tanto os eventos em que trabalha, como expõe seus trabalhos mais recentes e escritos; encontramos fotografias em preto e branco de seu dia a dia e alguns autorretratos, além de retratos de outras pessoas, artistas ou não, pois Serena é uma retratista, também. 

Aqui farei uma apresentação muito miúda, perto da produção da artista, comentando uma série de colagens que a artista tem desenvolvido e um vídeo-poema, chamado Atotô.

A série de colagens digitais de Daisy,  anuncia o afrofuturismo e o espaço sideral, mas não aquele povoado por naves espaciais, senão aquele que é paisagem habitável, sem a mediação de foguetes ou roupas de astronauta. Em seus cenários galácticos personagens negras, humanas e orixás, muitas vezes adornadas por flores e elementos naturais, protagonizam como quem habita ou reina. 

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Brita, colagem digital, 2020.
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‘até quando vamos ter que dizer presente para os nossos meninos ausentes pela mão genocida do estado? , colagem digital, homenagem a João Pedro, 14 anos, assassinado pela PM dentro de casa, 2020

 

Embora hoje saibamos que as viagens ao espaço só foram possíveis graças a cientistas negras, ao apresentar personagens negras no ambiente espacial sem fazer referência aos aparatos da engenharia espacial em si, mas, ao invés, apresentando elementos da natureza, que a princípio não levariam ninguém ao espaço – portanto ao futuro – podemos vislumbrar o cerne do ativismo negro brasileiro: a memória em relação às tecnologias de cultivo da terra e da fé em Orixá, Vodun, Nkisi e no povo da Encantaria. Tecnologias outras de sobrevivência e guerra, de aquilombamento, na contramão do colonial desbravamento e dominação de terras, trouxe a comunidade negra até aqui e é essa mesma tecnologia que nos leva ao futuro. O futuro negro do ativismo brasileiro preza pela vida e sua celebração, na reverência à ancestralidade e no respeito máximo à natureza. É esse afrofuturismo que as colagens de Daisy apresentam.

Em Atotô, um vídeo-poema, Daisy apresenta dois cenários a princípio contrastantes: um corporificado pela música que utiliza, o opanijé, e outro pela paisagem urbana vista de uma janela, à qual a câmera direciona nosso olhar. 

Atotô from Daisy on Vimeo.

Atotô é a saudação que se faz, no candomblé ketu, ao orixá Omolu. Opanijé é um ritmo do candomblé ketu (uma das nações do candomblé de matriz yorubana, com origens na cidade de mesmo nome) entoado a este deus africano, também conhecido como Obaluaê, epíteto composto pela contração: Obá Olu Aiyê, que significa rei senhor da terra ou ainda, rei que tem domínio sobre a terra. 

Omolu é o orixá que rege a cura e as doenças. Dançando o opanijé vai para a direita, movimentando a mão direita que aponta, ora a face ora a palma, para o chão e o mesmo acontece quando, na repetição da frase musical, vai para o lado esquerdo. No opanijé, os dois lados das mãos, são também uma metáfora para os dois lados de todas as coisas e, notadamente, aponta para a saúde e a doença como dois lados de um mesmo: área de domínio deste deus.

Em aparente distância ao cenário de cores terrosas e cruas, em contraste com o branco das vestimentas e tecidos das roças/terreiros de candomblé, referenciado pelo opanijé de Obaluaiye, a artista traz a paisagem urbana de São Paulo: em preto e branco, da janela de seu quarto e de  onde vemos ao fundo prédios, o céu, uma caixa d’água. Em primeiro plano as mãos da artista, em uma espécie de dança e alternância de movimentos, fazem uma referência nada óbvia, ainda que direta (especialmente para candomblecistas /ou intelectuais da religiosidade negra), aos passos do opanijé.

No terreiro diríamos que Atotô é um oriki: às 05h50 da manhã, a artista homenageia e contempla o “todo telúrico” deus, como ela mesma chamou: em português, nunca soube de nome mais apropriado àquele que, tão simples em sua realeza, limpa nosso corpo com pipoca.

Daisy utiliza a tecnologia de forma e as imagens que remetem ao futuro sem esgarçar os clichês da tecnocracia versus uma negritude estritamente rural ou simplesmente saudosista da terra. Não pára no arquetípico, mas o trabalha e relocaliza imageticamente, num contexto urbano permeado e norteado, muitas vezes, pela tecnologia.

Conheçam o trabalho de Daisy Serena: https://www.instagram.com/daiserena/ e https://vimeo.com/serenadai

 

Até a próxima postagem!

 

Nina Ferreira.

 

#fissura #mulheresartistas #artistasnegras #arteafrobrasileira #arte 

 

6 conteúdos sobre artistas negras

Hoje separamos 6 conteúdos sobre artistas negras já produzidos em nosso site. Boa leitura!

Eunice Nazário

Ingrid Pollard

Kara Walker

Rita Almeida

Rosana Paulino

Ndjideka Akulyili

Ingrid Pollard

Queridxs,

ainda no clima de comemoração ao Dia Internacional do Combate à LGBTfobia, apresento a vocês  um pouco do trabalho de Ingrid Pollard

Ingrid Pollard stuarthallfoudation

Pollard (1953) é uma artista visual, fotógrafa e pesquisadora guyano-britânica, que atualmente vive em Londres, Inglaterra. 

Sua formação acadêmica inclui um bacharel em vídeo e cinema em 1988 na University of Creative Arts, um mestrado em Estudos da Fotografia na Derby University e um PhD na Westminster University

Faz parte de alguns grupos, como o Mapping Spectral Traces, um grupo transdisciplinar internacional que agrega acadêmicos, pesquisadores, artistas e líderes comunitários ao redor de questões como a disputa territorial junto a comunidades que foram abaladas e o  LAND2, uma rede nacional de artistas/palestrantes e pesquisadores estudantes com interesse nas práticas artísticas que têm como foco o lugar e a paisagem. 

Entre 1984 e 2012 a artista participou de 96 exposições, 20 delas individuais, e de várias residências artísticas, como a Project Row Houses, no Texas, Estados Unidos, em 2004, e uma residência no Chenderit Visual Arts College, em Oxford , em 2008. 

Ganhou importantes prêmios em sua área, como o Leverhulme Individual Artists Award, em 2007, e o Arts Council Artists Award, em 2006 e 2007.

Os trabalhos de Pollard tiveram uma grande importância nos anos 80 na Inglaterra, por trazerem imagens de pessoas negras em território britânico e questionarem a formação da identidade britânica, generalizada como uma cultura branca, sem levar em conta aquilo que surge as partir do diálogo, ainda que imensamente verticalizado, entre pessoas caucasianas nascidas em território bretão e as pessoas negras, migrantes das colônias inglesas e britânicas. 

A artista produz  pinturas digitais, fotografias digitais e analógicas e faz intervenções nos processos de revelação. Além disso, também realiza colagens e instalações. A maioria de suas produções dialoga intensamente com questões relativas à ocupação do território e às dinâmicas raciais  britânicas. 

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da série Landscape Trauma. impressão digital sobre tecido. Copyrights © Ingrid Pollard. All rights reserved.

Landscape Trauma in the Age of Scopophilia (Trauma de paisagem na era da Escopofilia),  é uma série de pinturas digitais, feita em 2001.

Na imagem acima, utilizando tons de azul, cinza, e marrom a partir de uma fotografia do solo britânico, apesar de não ser em si um mapa, pode-se notar a referência direta aos mapas topográficos, os quais apresentam registros dos relevos e acidentes naturais e artificiais na superfície terrestre.

Escopofilia designa o prazer em olhar algo ou alguém, portanto desde o título da série até sua referência visual aos mapas topográficos vemos uma citação às intervenções da mirada humana sobre a paisagem. 

Já na série Oceans Apart, Pollard usa impressões, colagens e fotografias em que há a centralidade da figura humana, especialmente de personagens negras. Esta série traz o Oceano Atlântico enquanto um território de disputas, migrações e criação de novas culturas e relações, abarca a própria diáspora negra como objeto. 

 

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da série Oceans Apart. xerox, acetato e texto impresso. Copyrights © Ingrid Pollard. All rights reserved.

 

Na peça acima, logo de cara a artista expõe a relação entre a história das pessoas negras em territórios europeus e figuras que protagonizaram o tráfico de pessoas africanas e o holocausto africano, como James Cook, Christopher Columbus (nosso conhecido Cristóvão Colombo), Frances Drake e Walter Raleigh. 

Acima os perfis dos navegantes europeus são sobrepostos pela imagem que exibe a planta-baixa de um navio negreiro e, ao fundo, imagens que ilustram os porões dos navios. Abaixo, nomes de ruas em inglês, que fazem referência às terras colonizadas se misturam com sucessivas impressões em preto da litografia “Negros no Fundo do Porão” do pintor alemão Johann Moritz Rugendas, de 1835, feitas durante o período de viagens deste ao Brasil e, logo abaixo, em azul, uma imagem de homens negros de terno entre um navio antigo e o que parece ser um navio de tecnologia mais recente.

 

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da série Oceans Apart. impressão prata matizada e tonificada à mão. Copyrights © Ingrid Pollard. All rights reserved.

 

 

Nesta fotografia, em que notamos uma forte presença da pictorialidade pelas manchas na madeira do deck, bem como no verde das roupas das personagens, notamos a presença marinha muito mais pelo protagonismo da cor verde do que pela imagem do mar em si, quase imperceptível ao fundo. As duas personagens, uma mulher que sorri e uma criança que olha em direção ao mar, estão descalças no deck, num momento de simplicidade tamanha que nos fazem ter aqui quase uma imagem daquelas que você acha num álbum de família.

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da série Oceans Apart. impressão prateada colorida e tonificada à mão e texto impresso. Copyrights © Ingrid Pollard. All rights reserved.

E ainda dentro de Oceans Apart,  temos a foto de um rochedo marítimo que abriga uma pequena poça que salta aos nossos olhos, sucedida por três papéis que dizem “sinto sua falta…” “saudade…” “sinto sua falta” acima de duas fotografias de crianças negras, a sensação de estarmos diante de um álbum de família se amplifica.

Como uma pesquisadora e artista negra, a pergunta que me fica a Oceans Apart,é se o Oceano Atlântico é o território da saudade negra, do banzo… E, caso a resposta fosse sim, eu candomblecista que sou, responderia com uma imagem da festa do 2 de fevereiro que a orixá Yemonjá é nosso eterno abraço (por isso são dela todos os cantos que oferecemos às ondas e todos os sambas que fazemos na areia).

Um salve à obra de Ingrid Pollard.

Axé à comunidade negra LGBT+!

Nina Ferreira

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Site da artista: http://www.ingridpollard.com/

#artistasnegras #artistasLBTs #mulheresartistas #artistasLGBTs #fissura

Comemorando o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia – Cláudia Wonder

Uma de nossas entrevistas mais emocionantes e especiais foi a que fizemos com a multiartista Cláudia Wonder. Ela recebeu gentilmente Ana Carolina Lima (Fissura) e Caio Sá Teles, que realizou o precioso registro fotográfico, em seu hotel durante um show que fez em Salvador por conta da festa de encerramento do evento Stonewall 40 + o que no Brasil? em 2011. Dois meses depois de concedida a entrevista ela nos deixou.

Leiam a entrevista completa:

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Créditos: Caio Sá Telles

O Fissura faz 10 anos!

Querides, temos boas novas!

Este ano comemoramos 10 anos de atividade!

São dez anos produzindo conteúdo e contribuindo para a promoção da equidade de gênero nas artes visuais de forma online & gratuita!

Durante esses anos publicamos textos, traduções, entrevistas e notícias, tivemos mais de 84 mil visualizações feitas por pessoas de mais de 114 países e fizemos, uma atividade presencial gratuita e aberta à comunidade, em que trouxemos vários olhares sobre o nosso tema: mulheres e as artes visuais.

Agora, a fim de ampliar nossas ações por aqui e realizar mais ações presenciais, lançamos uma campanha de financiamento colaborativo pela plataforma Apoia.se !

Como funciona? 

É muito simples! Cada pessoa pode colaborar mensalmente com qualquer quantia a partir de $5 e, para cada quantia, temos uma recompensa diferente e especial.

Acesse http://apoia.se/fissura  e colabore com a gente!

Tainá Xavier: Postais para o hoje

A artista residente em Brasília tem feito uma série denominada “Postais para o hoje” (2020) em seu Instagram no qual explora por meio de uma junção de fotografia e texto as urgências, as faltas, as possibilidades desse período incerto da pandemia covid-19. Fugindo dos clichês que estão predominando em muitos trabalhos desse período, Tainá Xavier opta por explorar de uma maneira delicada e pungente os temas sobre os quais a maioria de nós está se defrontando: a ausência dos entes queridos e amigos, a impossibilidade do toque, o futuro incerto e a sensação de vazio ou melancolia.

Ana Carolina Lima

@anace.lima

 

 

 

 

“Ajudem nossos hermanos”

A artista Alice Lara está como residente no projeto Residência a Domicílio . Ambos somaram esforços para vender as obras  da artista produzidas durante o período de residência por R$ 400,00 cada uma para contribuir para compras de cestas básicas para um grupo de bolivianos que trabalham como informais em São Paulo.

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Pintura de Alice Lara produzida durante a residência na Residência a Domicílio  (VENDIDA).
Ajudem nossos hermanos  

Conta: Camila Ferreiro Adriano
Itaú Unibanco
Banco Destinatário: 341
Agência: 06470
Conta e Dígito: 0000000097673
CPF: 376999598-84
(Importante: mande uma mensagem se fizer um depósito, a prestação de contas será feita no instagram do projeto)