Angola – As mulheres e sua participação nas artes plásticas

O vídeo abaixo é uma reportagem que fala sobre as mulheres artistas de Angola, que contam com a galerista e artista Marcela Costa que ajudou a impulsionar a produção de algumas de suas conterrâneas.

Pílula: Berni Searle

    Berni Searle (1964 – África do Sul), vive na cidade do Cabo. Trabalha com diversas linguagens: escultura, fotografias, performance e vídeo. Aborda questões de memória e história, étnicas e de gênero. Em alguns de seus trabalhos, como em About to forget e Spirit of ‘76, utiliza a “hena” como material pictórico, enfatizando a efemeridade.

    Em About to forget, como em outros trabalhos da artista, há uma forte presença pictórica que coloca em relevo proposições sobre memória, juntamente com silhuetas divididas em três quadros, como numa sequência fílmica, e que trazem consigo algo de narrativo, parecem contar uma história: esquecida, para esquecer ou na tentativa de fazê-la permanecer em algum lugar da memória.

 


Site da artista: http://www.bernisearle.com/

Entrevista com Zanele Muholi sobre exposição “fragmentos de uma nova história”

Entrevista com fotógrafa sul africana

(audio em inglês e Legenda em espanhol)

Pílula: Sokari Douglas Camp

Artista visual nigeriana.

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http://www.sokari.co.uk

Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie fala sobre poder, estereótipos e, como o nome indica, sobre “o perigo de uma única história”.

O que ela fala (lindamente) sobre literatura pode ser facilmente pensado em relação as artes visuais e à produção visual como um todo. Nossas refêrencias principais também são européias ou estadunidenses e por isso nos é tão importante procurar conhecer artistas de outros lugares, contextos e perfis. O que sabemos, por exemplo, sobre as artistas Marta Minujín, Lygia Clark, Maria Martins, Remedios Varo, Maria Izquierdo, Lygia Pape, Mary Vieira, Marta Boto, todas latinoamericanas? O que sabemos sobre arte contemporânea nigeriana, tailandesa, paquistanesa, ou mesmo boliviana? Qual a nossa principal referência sobre o que vem a ser arte? Quem consagramos com os títulos inabaláves de gênios? Quantas histórias da arte conhecemos?

Escolhemos escrever sobre artistas mulheres justamente por perceber que elas frequentemente são vistas como amantes, mulheres, figurantes, assistentes, e não como as produtoras, artistas, compositoras, escritoras que também são. E sabemos que são muitos os grupos e identidades resumidos a um estereótipo, a uma única história, que devem ser conhecidos e reconhecidos em sua complexidade, para que nós (e nossos/as alunos/as) possamos ter uma visão mais mais completa das coisas.

Faz algum tempo que professores de artes, literatura e história precisam, no Brasil, abordar a produção africana e indígena brasileira, de acordo com as leis 10.693/03 e 11.645/08 (respectivamente) que modificam a lei 9.394 das diretrizes e bases da educação brasileira. Essas leis significam que professoras/es que já ensinam a muito tempo tem de procurar novas fontes e se embrenhar por caminhos provavelmente desconhecidos até então. Isso pode ser visto como uma tarefa enfadonha, como uma exigência a mais de profissionais sobrecarregados, que tem sua categoria desvalorizada de diversas formas e mais um monte de reclamações reais, mas também pode servir como impulso para procurar conhecer novas histórias, e, consequentemente, conhecer melhor o mundo – que, ao contrário do que autores de livros com títulos como História Mundial da Arte ou Historia Universal da arte pensam, não se resume a europa.

Então, pegando carona na fala de Chimamanda Adichie, faço um convite para procurarmos conhecer histórias tão diversas quanto for possível ao invés de reforçar “uma única história” sobre qualquer coisa, lugar ou grupo de pessoas.

Tauana M.

Entrevista com Zanele Muholi

A fotógrafa e ativista Zanele Muholi em entrevista à revista online “Pikara” comenta sobre seu trabalho e a violência contra mulheres e lésbicas na África.

Zanele Muholi

série de fotografias da artista exposta na 29ª bienal de São Paulo.

Faces e fazes: I

Declaração da artista

Há um sentido entre Faces e Fazes e porque o projeto enfoca essas duas palavras.

Eu decidi capturar imagens da minha comunidade para contribuir para uma história homosexual sul africana mais democrática e representativa. Até 1994, nós, como lésbicas negras, eramos excluídas de participar na criação de um movimento queer formal e nossas vozes estavam faltando nas páginas das publicações gays, enquanto ativistas gays brancos dirigiam o movimento e escreviam sobre as questões e batalhas gays. Portanto, poucas de nós estavam presentes na linha de frente, mas muitas operavam às ocultas.

Eu embarquei emu ma jornada de ativismo visual para assegurar que haja visibilidade de lesbicas negras, para mostrar nossa existência e resistência nessa sociedade democrática, para apresentar imagens positivas de lesbicas negras.

Aparte da definição do dicionário do que seja uma “face” (a frente da cabeça, da testa ao queixo), a face também expressa a pessoa. Para mim, Faces significa eu, fotógrafa e trabalhadora em comunidade, estanto face a face com várias lesbicas com as quais interaji em diferentes municípios como Alexandra, Soweto, Vosloorus, Kathehong, Kagiso…

Em cada município há lésbicas vivendo abertamente independente do estigma e homofobia ligados a sua identidade lesbiana, ambas butch e femme. Na maior parte do tempo ser lésbica é visto como negativo, como destruidor da família nuclear heterosexual; para muitas lésbicas negras, o estigma da identidade queer surge do fato de a homossexualidade ser vista como não-africana. As expectativas são de que mulheres africanas têm de ter filhos e procriar com um parceiro, o chefe da família. Isso é parte da “tradição Africana”.

Ao não nos conformarmos com essas expectativas, somos percebidas como desviantes, precisando de um “estupro corretivo” para apagar nossa atitude masculina e nos tornar verdadeiras mulheres, fêmeas, mães, propriedade de homens.

As pessoas nesta série de fotografias têm diferentes posições e papéis na comunidade de lésbicas negras: jogadoras de futebol, atrizes, acadêmicas, ativistas culturais, advogadas, dançarinas, cineastas, ativistas de direitos humanos/gênero. No entanto, cada vez que somos representadas por outras pessoas, somos apenas vistas como vítimas de estupro e homofobia. Nossas vidas são sempre sensacionalizadas, raramente compreendidas. Esta é a razão para Fazes: nossas vidas não são apenas o que fazem as manchetes de jornais cada vez que somos atacadas. Nós passamos por diversos estágios, expressamos diversas identidades que se desdobram paralelamente em nossa existência.

Da perspectiva de alguém do grupo, esse projeto destina-se a comemorar e celebrar as vidas das lésbicas negras que conheci em minhas jornadas pelos municípios. Vidas e narrativas são contadas com dor e alegria, já que algumas dessas mulheres estavam passando dificuldades em suas vidas. Suas histórias me renderam noites sem dormir já que eu não sabia como lidar com as necessidades urgentes das quais era informada. Muitas delas tinham sido violentadas; eu não queria que a câmera fosse outra violação; ao invés, eu queria estabelecer relacionamentos com elas baseado em nosso entendimento mútuo do que significa ser mulher, lésbica e negra na Africa do Sul hoje.

Eu chamo esse método o nascimento do ativismo visual: eu decidi usar ele para marcar nossa resistência e existência como lésbicas negras em nosso país, porque é importante por uma face em toda e cada questão.

Faces e Fazes é sobre nossas histórias, lutas e vidas neste queer planeta mãe: nós vamos enfrentar nossas experiencias independente do que sejam, e ainda assim continuaremos seguindo em frente.

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esse texto é uma tradução de Faces & Phases: I encontrado no site da artista: http://www.zanelemuholi.com/photography.htm

Aproveite e assine a petição para pedir uma ação do governo sul africano contra “estupro corretivo”: https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?cl=922933207&v=8260