Gunta Stözl

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Gunta Stözl nasceu em Munique, Alemanha, em 1897 com o nome de Adelgunde Stölzl. Neta de um tecelão e filha de um professor, Gunta estudou e concluiu (o que era uma raridade, na época) os estudos em uma escola secundária para meninas. Ela entrou, então, na Escola de Artes e Ofícios de Munique, já que mulheres ainda não eram admitidas na Escola de Belas Artes, onde estudou por sete semestres até que, após a experiencia traumática da primeira guerra mundial, a escola lhe parecesse coservadora demais. Em 1919 ela procura e é admitida na escola Bauhaus, em Weimar.

A escola, que se encontrava ainda um pouco desetruturada, não possuía tantas oficinas e a artista se ocupou da pintura até que em 1920 fosse criada uma turma especial para mulheres, mais tarde chamada de oficina de tecelagem, com recursos limitados e sem muita orientação, mas cheia de entusiasmo. No diário de Anni Albers, outra artista da Bauhaus, ela escreve: “Não havia professores/as apropriados/as para o trabalho têxtil, nós não tínhamos aulas apropriadas. Hoje as pessoas dizem apenas: ‘Elas aprenderam tudo isso na Bauhaus!’. No início não aprendemos nada. Eu aprendi muito com a Gunta, que era uma professora fantástica. Nós sentávamos lá e simplesmente testávamos as coisas.”

As experimentações e empolgação de Gunta lhe renderam diversos trabalhos aclamados e grande conhecimento de tecelagem, levando-a, inclusive a ser promovida como trabalhadora qualificada, em 1924, e a se tornar a primeira mulher com cargo de mestra na escola, em 1927, quando a Bauhaus se mudou para Dessau.

Casada com o arquiteto da Bauhaus e judeu Arieh Sharon, Stözl, agora com cidadania palestina, começou a ser perseguida por estudantes e professores nazistas até o ponto em que achou mais prudente se retirar da escola. Então, em 1931, ela parte para a Suíça, onde continuou trabalhando com tecelagem até sua morte em 1983, em Küsnacht, com oitenta e seis anos.

O trabalho de Gunta Stözl traz na escolha da linguagem/meio a mistura entre arte e artes aplicadas proposta pela Bauhaus, bem como a possibilidade de reprodução industrial como forma de democratização da arte e da sociedade, parte do ideal presente na fundação da escola. Os padrões de cores e formas em seus trabalhos são também condizentes com a tendência formal e construtivista corrente naquele ambiente.

Tauana M.

Fontes:

http://www.guntastolzl.org/ site em inglês, com várias informações sobre a artista e imagens de seus trabalhos.

RADEWALDT, Ingrid. Gunta Stözl. In MÜLLER, Ulrike. Bauhaus Woman: Art, Handcraft, Design. Paris: Flammarion, 2009.

Hannah Höch

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Nasceu em 1889 em Gotha, na Alemanha, foi pioneira da fotomontagem e integrante do grupo dadaísta berlinense entre 1917 e 1922. Höch sobreviveu ao regime nazista na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, durante a qual manteve um acervo de arte dadaísta que possibilitou o reconhecimento do grupo após a guerra. Apesar de sua importância para o movimento teve seu trabalho reconhecido apenas em 1971, quando foi feita sua primeira exposição retrospectiva. Até então, Höch era citada apenas como companheira de Raoul Haussman ou como mera mão-de-obra do grupo dadaísta.  Hanna Höch morreu em 1978, em Berlim, Alemanha.

O dadaísmo tem como seu marco inicial a fundação do grupo Cabaret Voltaire, em 1916, em Zurique, e é conhecido por ter promovido manifestações caóticas, que contestavam, além da própria arte, os valores de uma época marcada pela guerra. Segundo Argan, a tese dadaísta era a de “considerar falsa a direção tomada pela civilização, e encarar a guerra como a conseqüência lógica do processo científico e tecnológico; era preciso, portanto, negar toda a história passada e qualquer projeto de uma história futura, e voltar ao ponto zero.” (p. 356)

Com isso em mente, é possível analisar alguns dos trabalhos de HannahHöch como críticas e apontamentos específicos sobre a situação das mulheres no período em questão, compreendendo a relação de poder entre homens e mulheres como parte da história que precisa ser negada. Várias de suas fotomontagens possuem figuras femininas como protagonistas, como Mutter (1930), ao lado, por exemplo, onde há uma figura com torso feminino que parece demonstrar cansaço e uma face coberta por uma máscara. A boca e os olhos estão visíveis, porém sua identidade é escondida… ou será que sua identidade passou a ser o que a máscara apresenta? Será que ela percebe essa máscara que cobre seu rosto? A própria Hannah vivia em um meio predominantemente masculino – o artístico – e sofreu diversas conseqüências por ser uma das poucas mulheres que se aventuravam nele, tendo sua identidade como artista até certo ponto apagada, encoberta.

A opção por trabalhar com fotomontagens traduz em parte o propósito dadaísta de questionar a arte, ao juntar pedaços de imagens de revistas, um meio de comunicação de massa, para produzir seus trabalhos. O resultado são figuras fragmentadas, bem como estava (está?) a sociedade. Seu trabalho Schintt mit dem Küchenmesser durch die letste Weimarer Bierbauchkulturepoche Deutsschlands (1919), ao lado, retrata bem a bagunça, a falta de lógica, a fragmentação, as máquinas e multidões que compõem um cenário sufocante e insano. Olhar algum tempo para esse trabalho me faz acreditar que se eu olhar demais posso me prender numa espécie de sonho cruel, onde as pessoas são menos pessoas que tentativas de ser e nada parece possibilitar o mínimo dos prazeres. Tenho a impressão de que após algum tempo nesse mundo que Hannah Höch (re)produz eu me esvaziaria de sentido e me juntaria às figuras tristes que ali estão, perseguindo mecanicamente algum objetivo inútil até o fim de minha existência…

Tauana M.

Fontes:

GROSENICK, Uta. Mujeres Artistas de Los Siglos XX y XXI. Taschen.

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann e Frederico Caroti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Link:

THE INTERNATIONAL DADA ARCHIVE [Arquivo internacional Dada] – em inglês, com textos disponíveis para download em alemão e francês, incluindo imagens de revistas dadaístas. http://sdrc.lib.uiowa.edu/dada/index.html