Emília Bertolé

Vídeo com imagens e informações sobre a artista argentina.

O texto está em espanhol e o vídeo passa rápido por eles, mas é possível ler e compreendê-los melhor pausando a imagem. O mesmo serve para as imagens de pinturas.

Tomie Othake

Entrevista da coleção arte de bolso com a artista Tomie Othake aqui.

Madres de Plaza de Mayo

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(…)Enfim, alegrias e trisezas, porque cada vez que falar de você e seguir lutando por todos, como você fazia, me parecerei mais com você e esses seus companheiros e agora meus filhos, que deram tudo, até a vida, por um mundo melhor.
Minha filha te prometo não deixar de lutar e seguir com ela até o último dia de minha vida.” Mercedes de Meroño (Porota)

As Madres de Plaza de Mayo (Mães da Praça de Maio) são uma associação de mulheres que se organizaram durante a ditadura na Argentina para protestar contra o desaparecimento de seus filhos e netos. Hoje, 34 anos depois da primeira manifestação e início da organização, as Madres continuam levando cartazes e protestando na Plaza de Mayo, em frente a Casa Rosada (sede do governo),todas as quintas-feiras, para que não se esqueçam daquelxs que desapareceram. Vê-las é emocionante…

Esta brasileira aqui, vinda de uma cultura do esquecimento, mal pôde acreditar ao ver o valor e a importância que ali se dá a memória. Não eram muitas mulheres como já fora antes, mas as pessoas da cidade, numa quinta-feira como qualquer outra, se juntavam a elas para dar força ao coro. Mais de uma vez chorei vendo aquelas senhoras caminhando com faixas dizendo coisas como “proibido esquecer”, para que o terror do que aconteceu não volte a se repetir e para direcionar sua energia para  questões que vão beneficiar outras pessoas.

Então, impressionada com a manifestação fui parar em sua sede, onde descobri uma livraria pequena e com ótimo acervo aonde encontrei, dentre outras coisas, um livro com escritos em poesia e prosa e pinturas dessas mulheres admiráveis.

As imagens cheias de cores e temas variados carregam algo em comum: a prática da arte como forma de expressão e ponte para a superação de traumas. Pra quem lê essa frase com pedras na mão, não digo que a arte tem necessariamente essa característica, mas que, com certeza, é uma possibilidade. Basta pensar nas várias vertentes de arteterapia, musicoterapia, dançaterapia… nos trabalhos posteriores de Lygia Clark, na tragetória artística e de vida de Louise Bourgois, de Frida Kahlo, de tantas e tantos…

E se para a artista francesa Louise Bourgeois, “Arte é uma garantia de sanidade”, para as Madres de Plaza de Mayo, ao que parece, tanto a arte quanto a luta por direitos humanos são garantias de sanidade.

Tauana M.

para saber mais visite:
http://www.madres.org/navegar/nav.php

fonte:
ASSOCIACIÓN MADRES DE PLAZA DE MAYO. Pluma Revolucionária: Escritos e Pinturas de las Madres de Plaza de Mayo. Buenos Aires: Ediciones Madres de Plaza de Mayo, 2007.

Tarsila do Amaral

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Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as Religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi, that is the question.  (Do Manifesto Antropofágico)

Tarsila do Amaral é um dos raros nomes de mulheres artistas que aparece com freqüência nas escolas, livros didáticos e prateleira de livrarias. O reconhecimento de seu trabalho é uma feliz dissonância no que diz respeito as mulheres artistas e hoje, no dia em que completam 125 anos desde seu nascimento, lhe prestamos homenagem com essa postagem.

Tarsila nasceu em Capivari, São Paulo, em 1886 e faleceu em 1973. Vinda de família rica de fazendeiros, tarsila viajou diversas vezes para Espanha, Portugal e França onde estudou escultura e pintura. No Brasil, fez uma polêmica exposição solo em 1917, já dando os primeiros passos do modernismo brasileiro que teve como marco a Semana de Arte Moderna de 1922.

Uma das tônicas do modernismo brasileiro, assim como ocorreu por toda América Latina nesse período, foi uma busca por raízes e referências o mais distanciadas possível dos colonizadores, representados pela Europa ocidental. Parece contraditório, a princípio, que os artistas envolvidos nesse movimento fossem estudar justamente na Europa e assumissem claras influências de vanguardas européias, como o cubismo. Mas uma simples palavra pode deixar essa relação mais compreensível: Antropofagia.

Antropofagia é uma palavra mais chique para canalismo e, para os artistas dessa época, incluindo Tarsila, significava também comer culturas, influências, referências, para digerí-las e vomitar uma coisa nova. Uma espécie de apropriação mais viceral. Sobre originalidade na arte Tarsila escreve:

“Qual o pintor, o escultor, o artista, enfim, que já apresentou um trabalho original no sentido estrito da palavra? A originalidade está na primeira obra de arte que se fez perdida no nevoeiro dos tempos e o criador dessa obra, não trazendo em si certamente idéias inatas, agiu influenciado pelo ambiente. (…)”

Suas pinturas cheias de cores e formas arredondadas, retratam imagens com recorrentes referências ao cotidiano popular brasileiro, sendo que vez ou outra as imagens parecem pender para o onírico ou expressão de sua subjetividade, como acontece com “A lua” (acima) e “Urutu” (ao lado), amabas de 1928.

Tarsila, ao lado de Anita Malfatti, de certa forma abriram precedentes para artistas brasileiras posteriores que também conseguiram ser reconhecidas.

Tauana M.

Fontes:
Amaral, Tarsila. tarsila por tarsila. São Paulo: Celebris, 2004.
Ades, Dawn. Arte na América Latina. São Paulo: Cosac & Naif, 1997.

Sites:
http://www.tarsiladoamaral.com.br/
http://www.historiadaarte.com.br/tarsila.html
Itaú cultural – Tarsila do Amaral

Letícia Parente: breve relato da palestra com curadorxs das exposições em cartaz no país

A artista trabalhou com arte postal, arte xerox, videoarte, performance, instalação, pintura, gravura e desenho.

Kátia Maciel e André Parente, ambos docentes da UFRJ, realizaram as curadorias das três exposições sobre a artista em Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro (essas últimas já abertas), onde a artista residiu. Para comentar sobre a sua obra participaram de uma conversa com o público no dia 26 de julho no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).

Nessa palestra André Parente afirmou que ele e Kátia Maciel conceberam as três exposições em distintas cidades como sendo uma exposição em três etapas, e que consideram Salvador como a cidade mais importante. É a primeira vez que as obras de Letícia são expostas em sua terra natal, Salvador.

André Parente, é filho de Letícia e colaborou com ela em algumas videoartes. Ele declarou – arrancando risos do auditório – que costuma se referir à sua mãe apenas como Letícia, pelo fato de que iria soar esquisito comentar a obra da artista chamando-a de mamãe.

Videoarte Marca Registrada (1975).

André pontou a influência de Foucault na obra de Letícia relatando que ela se aprofundou na obra do filósofo e  relacionando o conceito de “arqueologia do cotidiano”, desenvolvido pela artista, com os conceitos foucaultianos de arqueologia das práticas, completando que a exposição Medidas (1976) de Letícia surgiu sob uma profunda influência foucaultiana.

A respeito da obra da artista, André pontua em texto curatorial “[…] a utilização do corpo como forma na obra de Letícia Parente não retrata um corpo em particular; na verdade, pretende-se escapar da especificidade deste corpo e constituir um modo de ver que despersonifica o gesto cotidiano ao incluí-lo em um repertório de ações que se repetem.”

Exposições:

Letícia Parente

Local: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).

Visitação: 26 de julho a 04 de setembro.

Letícia Parente

Local: Espaço Oi Futuro –  Flamengo, Rio de Janeiro.

Visitação: De 12 de julho a 04 de setembro

+ infos.:

http://www.mam.ba.gov.br/exposicao-detalhe.asp?conId=433

http://leticiaparente.net

Lais Bodansky

Entrevistas com a diretora de cinema, produtora e roteirista Lais Bodansky, que dirigiu os longa-metragens de ficção “Bicho de sete cabeças”, “Chega de Saudade” e “As Melhores Coisas do Mundo”; o curta-metragem “Cartão Vermelho”; e os documentários “A guerra dos paulistas” e “Cinema Mambembe: o cinema descobre o Brasil”.


Sobre “As melhores coisas do mundo”


sobre “Bicho de Sete Cabeças”

 

Remedios Varo

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Nasceu em Anglès, Espanha, em 1908 e faleceu na Cidade do México, México, em 1963.

Maria de los Remedios Varo Uranga passou seus primeiros 8 anos viajando pela Espanha e norte da África até que sua família se acomodou na cidade de Madri, onde finalmente a jovem Remedios Varo teve uma educação mais contínua. O estudo da arte começou cedo para Varo que, influenciada pelas impressões e desenhos técnicos do pai engenheiro hidráulico, se matriculou ainda na adolescência em aulas de pintura na Academia de San Fernando, em Madri.

Em meados da década de 30, Varo viaja para Barcelona onde entra em contato e se envolve com o movimento surrealista e, em 1937, ela se muda para Paris e  participa ativamente de diversas publicações e exposições surrealistas.

Em 1941, por conta da invasão nazista na França, ela e outros/as artistas se refugiaram no México. A américa central que era a princípio um destino temporário acaba sendo sua casa até o dia de sua morte.

O trabalho de Remedios Varo tem influência de diversas fontes, filosofias, estilos, e culturas, sendo alguns traços mais marcantes a mistura de influencias tanto do ocidente quanto do oriente (vale lembrar que sua viagens na infância e período vivido na Espanha a aproximaram da cultura islâmica); a alquimia, o ocultismo e misticismo; e a geometria e arquitetura sacra.

Olhando para as pinturas dessa artista hispano-mexicana nos deparamos com diversos mundos que não operam com a mesma lógica do lado de cá, do lado desperto, mas daquele outro mundo que adentramos nos sonhos. Talvez por isso, por mais que as imagens causem estranheza elas são também convidativas e, em algum grau, familiares. Como os sonhos, essas imagens contam histórias novas e com infinitos desdobramentos possíveis. Onde será que leva aquela escada? Se entrarmos por ali aparecemos naquela cidade em espiral? O que esse personagem vai fazer depois?

Diferentemente de pintores surrealistas com De Chirico, Magritte e Salvador Dalí, as pinturas de Varo apresentam maior quantidade e variedade de texturas e espaços mais escuros, possivelmente pela noite se relacionar à intuição e aos mistérios. Parece-me ainda que as texturas tornam os universos que ela retrata mais possíveis, mais táteis, sendo possivelmente o que torna suas pinturas mais familiares e aconchegantes (queria entrar em suas pinturas como o personagem no filme Sonhos de Akira Kurosawa entra nas de Van Gohg!).

Tauana M.

Fonte: http://www.remediosvaro.org/

Coletivos de Grafiteiras Brasileiras

As mulheres têm uma história de infindáveis lutas por espaços e, como nos demais grupos oprimidos (pois é, não somos minorias…), algumas das coisas essenciais para que espaços e direitos sejam conquistados  é que as pessoas se juntem, troquem idéias e se organizem. Então no grafite não é muito diferente e aqui estão umas poucas informações sobre alguns deles:

TPM Crew (Transgrssão Pelas Mulheres)

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Coletivo de mulheres grafiteiras do Rio de Janeiro fundado em 2004. O grupo se preocupa com o empoderamento das mulheres e expressa diversas idéias e reflexões através de seus trabalhos.

Para conhecer mais visite o Fotolog do grupo aqui

Coletivo As Noturnas

Sista Crew

Esse coletivo estava na coordenação do 3º Encontro Nacional de Grafiteiras em 2009: http://www.fotolog.com.br/laequipe/72858553

Veja também o texto “Artistas das ruas” por Thaís Zimbwe sobre mulheres no grafite