Pílula: Criola

Docs – CRIOLA from Limonada on Vimeo.
Grafiteira Criola, ou Tainá Lima, de Belo Horizonte, sobre seu trabalho, o Grafite e a representatividade das mulheres negras.

Acredito que o grafite, por ser marginal, é uma arma poderosa para impor essa representatividade. A figura da mulher negra é forte no meu trabalho porque é fruto do que eu vivo– Criola

https://vimeo.com/167804566
https://www.facebook.com/criolagraff?fref=ts
http://criolabr.tumblr.com/
http://revistatrip.uol.com.br/tpm/conheca-a-grafiteira-criola

Videoperformance


Letícia Parente
“Marca registrada”1975, 9min.
Câmera: Jom Tob Azulay

O vídeo é uma linguagem desde o início impura, híbrida, que opera  diversas vezes em cruzamentos com outras linguagens (MELLO, 2008). Uma dessa enorme gama de possibilidades foi chamada videoperformance, linguagem que o Dicionário de Novas Mídias define da seguinte forma: “Performance em que o artista incorpora uma filmadora ou equipamento de vídeo, e em que é dada à tecnologia uma posição tão proeminente quanto o corpo humano, como um complemento dele” (POISSANT, 2001 p.43-44).

Para Christine Mello (2008), a relação que se cria entre o/a performer e a câmera gera um terceiro corpo, meio máquina meio gente, de cuja síntese se tem a videoperformance. A partir daí pode-se pensar em uma possível diferença entre a videoperformance e o registro de performance, já que a primeira cria uma relação íntima do vídeo com o/a performer e a segunda pode ser feita mesmo sem seu conhecimento.

O registro seria, então, um mediador, um veículo para que se tenha acesso à ação, mesmo que de forma limitada, sem a amplitude toda do espaço, sem os cheiros, sem as energias presentes. A performance, nesse caso, seria o que aconteceu na frente da câmera.

A única vida da performance é no presente. A performance não pode ser salva, gravada, documentada, ou participar de outra forma na circulação de representações de representações: uma vez que o faz, ela se torna algo que não uma performance (PHELAN, 1993 p. 146) 

De acordo com a definição de Louise Poussant, os casos de performances em telepresença poderiam ser classificadas como videoperformances, mas, se forem pensadas enquanto performances, servem para bagunçar um pouco a posição de Peggy Phelan.

Passagens nº 1 – Anna Bella Geiger.
Brasil, 1974, 10min.

De forma geral, no entanto,  parece que os registros são uma forma de se ter contato com aquele trabalho por vias indiretas. De forma distinta, a videoperformance é pensada em relação ao vídeo, sendo este tão importante quanto a presença do corpo em si. O produto final, neste caso, não pode ser separado do vídeo, não existe sem ele.

A relação entre vídeo e performance vem de longa data, tendo sido muitas vezes o único mediador entre o trabalho e o público. Por todo o mundo houve diversas performances feitas em ateliês ou outros espaços reservados, com presença de poucas ou nenhuma pessoa (MELIN, 2008). No Brasil, essa prática foi bastante intensa a partir da década de 70, uma vez que o país se encontrava sob uma ditadura militar que reprimia severamente manifestações artísticas e de outras ordens. O vídeo foi, dessa forma, uma saída para que performers brasileiros continuassem produzindo seu trabalho. A prática do vídeo costumava, nesse primeiro momento, mostrar as ações de forma ininterrupta, permitindo um acesso mais próximo ao que seria a observação da performance em si. Com o passar do tempo, acabada a ditadura, as edições ficaram cada vez mais fragmentadas e dinâmicas, e as características da linguagem do vídeo foram cada vez mais exploradas (MELLO, 2008).

Tauana M.

(Texto retirado da monografia de graduação em bacharelado em artes plásticas)

Referências:
MELIM, Regina. Performance na artes visuais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
MELLO, Christiane. Extremidades do Vídeo. São Paulo: SENAC, 2008.
PHELAN, Peggy. The unmarked: the politics of performance. Londres: Routledge, 1993.
POISSANT, Louise. New Media Dictionary: Part II: Video. In Leonardo, v. 34 n. 1, fev. 2001. p. 41-44. Disponível em: http://muse.jhu.edu/journals/leonardo/v034/34.1dictionary.html

Para saber mais sobre o trabalho de Letícia Parente visite http://www.leticiaparente.net/

Vídeo de Passagens no. 1 de Anna Bella Geiger: http://www.youtube.com/watch?v=QfOU3UBImpg

Pílula: Lúcia Koch

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Lúcia Koch é uma artista  que tem trabalhado com fotografia de fundos de caixas feitas de tal forma que ganham um aspecto arquitetônico.
A artista natural de Porto Alegre que vive e trabalha em São Paulo. É mestra em artes visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora em poéticas visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

 

Site da artista: http://www.luciakoch.com/

Carta de Lygia Clark para Hélio Oiticica

Paris, 6.2.1964

Meu muito querido,

Chegando hoje de Stuttgart, fui direto à Embaixada (exausta – meu pé cresceu já uns dois pontos – será elefantíase?) para buscar a carta que havia chegado para mim – Era sua! Valeu todo o meu cansaço pois cheguei pisando como uma velha de 80 anos… Você nem imagina a alegria que senti pois uma carta é sempre um pedaço da pessoa, e a gente lê uma, duas, trêz vezes tal a fome, que é a saudade, que a gente sente dos amigos! Acho que virei até antropófaga. Tenho vontade de comer todo mundo que amo e que se ache aí… coitado do Peter quando chegar! Bom, vamos moderar esta voracidade senão… bem passarei o resto da minha vida na cadeia como Genet, como devoradora de machos (o meu signo é escorpião, lembra-se)

Fui de trem para o vernissage. Frau Walter e Herr Bense me escreveram dizendo que, se eu quisesse montar a exposição, eu deveria chegar na véspera à tarde ou no dia 4 de manhã. Achei que não daria tempo para grandes arrumações e escrevi que confiava na Frau Walter para montá-la sozinha. Diz o ditado que a gente deve confiar desconfiando, o que eu fiz na minha burrice à la Lacerda, que você já conhece, não fiz.

Ah! Nunca mais! Pois ao chegar lá vi os Bichos quase todos dependurados pela sala por meio de fios de nylon, como os móbiles de Calder!… Estava exausta pois não havia dormido desde a véspera e havia viajado durante oito horas até lá. Evidentemente protestei imediatamente e, sob grandes protestos do Herr Bense e, posteriormente, da Frau Walter (que foi chamada pelo Bense para que me impedisse de retirar os Bichos pendurados), peguei uma tesoura e cortei todos os nylons do teto. Um Casulo que Bense não queria que ficasse na parede, eu o pendurei, e o grande Contra-relevo que era na diagonal (eles o haviam posto sob a forma de quadrado), eu o fiz pendurar certo. O argumento de Bense era: “Está tão bonito! deixe desta maneira!” (…)

Não é preciso dizer que foi criado um clima de guerra aberta. Fui delicada, disse palavras horríveis (longe do Herr e da Frau), mas com eles eu expliquei que isto desvirtuava totalmente o meu trabalho e que eu não podia de maneira nenhuma fazer concessão desta ordem. Pois bem, na hora da vernissage, eu quase desmaiada de fome, exaustão e nervosia, pedi a um brasileiro que me traduzisse o que Herr Bense estava dizendo –  começou ele dizendo que quando eu cheguei eu desarrumei todo o seu arranjo, que a respondabilidade do atual era só minha e que ele teve que respeitar a minha opinião de que a importância da minha exposição era da participação do expectador, etc., etc. Todo mundo morreu de rir e quando ele acabou de falar foi um sucesso total – todos sem exceção mexiam sem parar nos Bichos. Foi Lindo! Matemáticos, arquitetos, encantadíssimos com a exposição (que foi a mais merdífera feita por mim em toda a minha vida). Não me deram o salão grande, pois houve qualquer coisa entre o reitor e o Herr Bense, de modo que a exposição foi muito incompleta (perto da do MAM). Bases diminutas e os Bichos pareciam pousados num pé só como as aves fazem. Botei tudo no chão com raras exceções pois salvei ainda, improvisando, algumas bases. Não expuseram as fotos (caríssimas) das Arquiteturas fantásticas, nem os Abrigos, nem a Casa, tampouco o Caminhando – falta de espaço. Foi televisionada, muitos repórteres, críticos e intelectuais. Mais de dez pessoas me perguntando o preço – O lá lá!… Bense acha que venderei ao menos uns três trabalhos. Depois fomos comer juntos num restaurante. (…) Nesta hora os ânimos estavam ótimos, o Herr Bense, entusiasmado com o sucesso da exposição, Frau Walter, idem, e riam muito, quando admoestei o Bense, dizendo que na próxima vez que ele se propusesse a me atacar que o fizesse em francês, pois assim eu teria a chance de revidar à altura. No dia seguinte, a Frau me convidou para almoçar chez elle e o ambiente foi francamente ótimo. O Bense escreveu um artigo sobre Lygia Clark e Gertrude Stein – diz ele que vai me mandar – e vai escrever outro sobre a minha obra para uma ótima revista alemã. Pediu que eu expusesse (para o ano) na galeria de um amigo seu que é imprtantíssimo pois tem a melhor publicação de arte na Alemnha. Ficou radiante quando disse que, quando voltasse para o Brasil, deixaria com ele em Stuttgart uns seis Bichos emprestados. Dei-lhe um Casulo que ele escolheu e para a filha da Frau Walter uma maquete, pois eu gosto dessa Frau! O catálogo ficou bem bonito – vou mandar o do Mário e guardo um para você. (…) Vou terminar aqui pois a carta está enorme. Telefone Soninha (gosto pra burro dela), diga-lhe que já escrevi a ela sim, mas que a carta saiu tão triste e repelente que rasguei – vou amanha mesmo lhe escrever outra. Que ela não fique triste ou zangada, porque eu escrevi, isto eu juro!

Mil abraços para os nossos – (que incluem os seus).

Milhões de beijos

Lygia Clark

ps: Diga ao Eduardo que eu escrevi para ele duas cartas e ele não me respondeu ainda, […].
Diga a Ana que vou responder amanhã sua carta.
Adorei!

Texto retirado do livro “Lygia Clark . Hélio Oiticica: Cartas (1964-1974)”, organizado por Luciano Figueiredo e publicado pela editora UFRJ.

Lygia Pape

programa sobre o trabalho da artista brasileira Lygia Pape, que participou dos movimentos concreto e neoconcreto.

Tomie Othake: Pintura as cegas

Programa sobre a exposição da artista Tomie Othake de pinturas feitas de olhos vendados

Tomie Othake

Entrevista da coleção arte de bolso com a artista Tomie Othake aqui.