Rita Almeida

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Rita Almeida nasceu em Brasília no dia 21 de maio de 1986, cursou artes plásticas (graduação e mestrado) na UnB e me contou que, atualmente, encontra-se em trânsito: “devo ir morar lá pras bandas do Amazonas”.

Suas composições são majoritariamente colagens que englobam diferentes materiais, mas há também alguns desenhos, impressões e escritos. Nelas, usa a precariedade a seu favor: a textura do papel levemente amassado, a fita adesiva que cola uma fotografia ou um pedaço de papel vegetal, rasuras em lápis ou caneta bic.

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Junto com a precariedade, a delicadeza de trabalhos que se mostram como relatos de algum momento, como a memória de um momento congelada pela materialidade da composição. O trabalho precário, assim, torna-se precioso: como a lembrança de um dia inesquecível, de um insight que anotamos num papel, perdemos e depois reencontramos.

Em Diários (data) um curto texto cheio de observações sobre o mar e a relação do mar com seu universo pessoal, com a forma de se ver, é acompanhado por uma série de fotografias simples, coloridas e em preto e branco, apresentam imagens do que foi escrito quase como uma forma de confirmar visualmente a nuvem de reflexões feitas no texto e também de compartilhar sua experiência e sua memória.

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Postais para C. é uma série de colagens e uma pequena carta, como num postal, que nos introduz às imagens – registros de uma viagem – destinada a alguém que não estava viajando junto com ela. As colagens mesclam fotografias que, contrariamente à lógica dos postais, não evidenciam qual o lugar onde estão sendo tiradas a escritos mais datilografados, desenhos e manchas coloridas, vezes feitas com tinta bem aguada, outras com giz. Apresentam, mais uma vez, uma lógica própria da lembrança: um esboço de carta, de postal, que junto à precariedade da forma como são dispostos os materiais – talvez pela urgência – trazem consigo uma sutileza própria da intimidade partilhada.

 

Para conhecer mais do seu trabalho, acessar:  http://cargocolletive.com/ritaalmeida/Rita-Almeida

 

Nina Ferreira

Hannah Höch

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Nasceu em 1889 em Gotha, na Alemanha, foi pioneira da fotomontagem e integrante do grupo dadaísta berlinense entre 1917 e 1922. Höch sobreviveu ao regime nazista na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, durante a qual manteve um acervo de arte dadaísta que possibilitou o reconhecimento do grupo após a guerra. Apesar de sua importância para o movimento teve seu trabalho reconhecido apenas em 1971, quando foi feita sua primeira exposição retrospectiva. Até então, Höch era citada apenas como companheira de Raoul Haussman ou como mera mão-de-obra do grupo dadaísta.  Hanna Höch morreu em 1978, em Berlim, Alemanha.

O dadaísmo tem como seu marco inicial a fundação do grupo Cabaret Voltaire, em 1916, em Zurique, e é conhecido por ter promovido manifestações caóticas, que contestavam, além da própria arte, os valores de uma época marcada pela guerra. Segundo Argan, a tese dadaísta era a de “considerar falsa a direção tomada pela civilização, e encarar a guerra como a conseqüência lógica do processo científico e tecnológico; era preciso, portanto, negar toda a história passada e qualquer projeto de uma história futura, e voltar ao ponto zero.” (p. 356)

Com isso em mente, é possível analisar alguns dos trabalhos de HannahHöch como críticas e apontamentos específicos sobre a situação das mulheres no período em questão, compreendendo a relação de poder entre homens e mulheres como parte da história que precisa ser negada. Várias de suas fotomontagens possuem figuras femininas como protagonistas, como Mutter (1930), ao lado, por exemplo, onde há uma figura com torso feminino que parece demonstrar cansaço e uma face coberta por uma máscara. A boca e os olhos estão visíveis, porém sua identidade é escondida… ou será que sua identidade passou a ser o que a máscara apresenta? Será que ela percebe essa máscara que cobre seu rosto? A própria Hannah vivia em um meio predominantemente masculino – o artístico – e sofreu diversas conseqüências por ser uma das poucas mulheres que se aventuravam nele, tendo sua identidade como artista até certo ponto apagada, encoberta.

A opção por trabalhar com fotomontagens traduz em parte o propósito dadaísta de questionar a arte, ao juntar pedaços de imagens de revistas, um meio de comunicação de massa, para produzir seus trabalhos. O resultado são figuras fragmentadas, bem como estava (está?) a sociedade. Seu trabalho Schintt mit dem Küchenmesser durch die letste Weimarer Bierbauchkulturepoche Deutsschlands (1919), ao lado, retrata bem a bagunça, a falta de lógica, a fragmentação, as máquinas e multidões que compõem um cenário sufocante e insano. Olhar algum tempo para esse trabalho me faz acreditar que se eu olhar demais posso me prender numa espécie de sonho cruel, onde as pessoas são menos pessoas que tentativas de ser e nada parece possibilitar o mínimo dos prazeres. Tenho a impressão de que após algum tempo nesse mundo que Hannah Höch (re)produz eu me esvaziaria de sentido e me juntaria às figuras tristes que ali estão, perseguindo mecanicamente algum objetivo inútil até o fim de minha existência…

Tauana M.

Fontes:

GROSENICK, Uta. Mujeres Artistas de Los Siglos XX y XXI. Taschen.

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann e Frederico Caroti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Link:

THE INTERNATIONAL DADA ARCHIVE [Arquivo internacional Dada] – em inglês, com textos disponíveis para download em alemão e francês, incluindo imagens de revistas dadaístas. http://sdrc.lib.uiowa.edu/dada/index.html