Rita Almeida

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Rita Almeida nasceu em Brasília no dia 21 de maio de 1986, cursou artes plásticas (graduação e mestrado) na UnB e me contou que, atualmente, encontra-se em trânsito: “devo ir morar lá pras bandas do Amazonas”.

Suas composições são majoritariamente colagens que englobam diferentes materiais, mas há também alguns desenhos, impressões e escritos. Nelas, usa a precariedade a seu favor: a textura do papel levemente amassado, a fita adesiva que cola uma fotografia ou um pedaço de papel vegetal, rasuras em lápis ou caneta bic.

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Junto com a precariedade, a delicadeza de trabalhos que se mostram como relatos de algum momento, como a memória de um momento congelada pela materialidade da composição. O trabalho precário, assim, torna-se precioso: como a lembrança de um dia inesquecível, de um insight que anotamos num papel, perdemos e depois reencontramos.

Em Diários (data) um curto texto cheio de observações sobre o mar e a relação do mar com seu universo pessoal, com a forma de se ver, é acompanhado por uma série de fotografias simples, coloridas e em preto e branco, apresentam imagens do que foi escrito quase como uma forma de confirmar visualmente a nuvem de reflexões feitas no texto e também de compartilhar sua experiência e sua memória.

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Postais para C. é uma série de colagens e uma pequena carta, como num postal, que nos introduz às imagens – registros de uma viagem – destinada a alguém que não estava viajando junto com ela. As colagens mesclam fotografias que, contrariamente à lógica dos postais, não evidenciam qual o lugar onde estão sendo tiradas a escritos mais datilografados, desenhos e manchas coloridas, vezes feitas com tinta bem aguada, outras com giz. Apresentam, mais uma vez, uma lógica própria da lembrança: um esboço de carta, de postal, que junto à precariedade da forma como são dispostos os materiais – talvez pela urgência – trazem consigo uma sutileza própria da intimidade partilhada.

 

Para conhecer mais do seu trabalho, acessar:  http://cargocolletive.com/ritaalmeida/Rita-Almeida

 

Nina Ferreira

Exposição: Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México

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Ontem tive o prazer de visitar uma exposição aberta aqui em Brasília (até dia 05/06/16 no Conjunto Cultural da Caixa) sobre Frida Kahlo e artistas surrealistas mexicanas e achei que era um bom pretexto para sacudir a poeira do blog. Então aqui vai:

Frida é querida de muita gente e já bastante conhecida, com um reconhecimento incomum, por sinal, quando se trata de artistas mulheres. Por isso, inclusive, fiquei muito feliz ao vê-la junto de nomes menos conhecidos como Leonora Carrington, Remedios Varo, María Izquierdo, Bridget Tichenor e Alice Rahon.

Os trabalhos de Frida realmente vão em direção outra, que não a pesquisa surrealista, embora haja ali presente um diálogo marcante. Vendo o conjunto apresentado, parece que ela pesquisava seu universo interno e o retratava de forma mais direta (mesmo que o resultado disso fosse bem estranho), enquanto que as demais artistas – nas obras de cunho mais surrealista – apresentam aspectos íntimos através de universos fantásticos, com personagens antropozoomórficos e cenários oníricos. Até aí, tudo estava mais ou menos como esperado. Contudo, dois desenhos de Frida feitos em tinta sépia sobre papel eram bem surrealistas, com personagens não humanos e tudo o mais. Entrar em contato com esses desenhos, juntamente com as fotografias, estudos e pinturas de retratos que essas artistas fizeram umas das outras, me trouxe a compreensão de que a relação visual entre suas obras não era uma questão acidental, mas fruto de trocas que ocorrem entre essas mulheres.

Para deixar essa relação mais evidente estava o seguinte texto curatorial em uma das paredes:

“As mulheres desempenharam papel fundamental na promoção da obra de outras mulheres. Natasha Gelman foi uma grande mecenas para Frida Kahlo. Inés Amor fundou a primeira galeria comercial no México, que abrigou a Exposição Internacional de Surrealismo em 1940 e ofereceu às artistas exposições individuais. María Asúnsolo criou a galeria GAMA, e Lola Álvarez Bravo fundou a Galeria de Arte Contemporânea, que abriu espaço para a primeira exposição individual de Frida Kahlo. María Izquierdo colaborou como crítica de arte para o jornal Novedades. Kati Horna, com suas reportagens para a revista Mujeres, contribuiu para difundir a obra daquelas que se destacavam no mundo das artes e da cultura.” 

Não é por acaso que a exposição traz a palavra “conexões” em seu nome.

Saí de lá com a palavra sororidade ecoando em mim…

 

Tauana M.

Saiba mais em:

http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/id/1335533
http://www.revistaforum.com.br/2015/11/24/alem-de-frida-kahlo-10-outras-artistas-mexicanas-importantes-engajadas/

Pílula: Lúcia Koch

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Lúcia Koch é uma artista  que tem trabalhado com fotografia de fundos de caixas feitas de tal forma que ganham um aspecto arquitetônico.
A artista natural de Porto Alegre que vive e trabalha em São Paulo. É mestra em artes visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora em poéticas visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

 

Site da artista: http://www.luciakoch.com/

Entrevista com Zanele Muholi sobre exposição “fragmentos de uma nova história”

Entrevista com fotógrafa sul africana

(audio em inglês e Legenda em espanhol)

Pílula: Patti Smith

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Nascida em 30 de novembro de 1946 nos EUA, Patti Smith é cantora e compositora de rock, poetisa, escritora e, o que muita gente não sabe, artista visual. Ela produz desenhos e fotografias desde o final da década de 60 e, embora tenha uma carreira voltada para a música, já expôs em diferentes lugares, em seu país e fora. Ela está atualmente com a exposição “Câmera Solo” aberta até 19 de fevereiro de 2012, no Wadsworth Atheneum Museum of Art, nos EUA.

A madrinha do punk, como é conhecida, teve uma relação muito próxima com o fotógrafo Robert Maplethorpe, e descreve a história dessa amizade no livro “Só Garotos” (super recomendo!), onde é possível entrar em contato com o universo em que estava inserida e que tanto se relaciona com os desenhos caóticos da artista.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Patti_Smith
http://revistaogrito.com/ctrlmusic/so-garotos-da-patti-smith/

Entrevista com a fotógrafa Nan Goldin

http://www.universalsubtitles.org/pt/videos/yVeRuLrPBCZf/info/

vídeo com entrevista legendada (parte 1)

Nan Goldin tem exposição censurada pela Oi Futuro

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A fotografa Nan Goldin teve exposição censurada pela Oi Futuro após 2 anos de preparação. A curadora Ligia Canogia divulgou a seguinte carta na internete:

“Em reunião ontem, no Oi Futuro, fui comunicada pelo curador e pela direção do instituto que a exposição de Nan Goldin estava suspensa.

Em ato arbitrário, prepotente e desrespeitoso com a artista, os curadores, e sobretudo, com a obra de arte, a mostra foi CENSURADA.

A artista chegaria ao Rio dentro de 20 dias, e a exposição se inauguraria em 09 de janeiro, ou seja, faltando praticamente 1 mês.

A direção e a curadoria dessa casa simplesmente não sabiam quem era Nan Goldin e o conteudo de suas imagens, tomando conhecimento delas apenas no final de outubro, embora tenham selecionado a exposição em edital de um ano atras.

Um trabalho de quase dois anos foi jogado fora, sumariamente.

Atos como este so se inscreveram na historia durante o nazismo, o fascismo e as ditaduras.

A instituição teve apenas o desplante de me pedir que levasse a exposição para outro lugar.

Se vocês puderem e quiserem se manifestar a esse respeito, eu agradeceria, pois vou reencaminhar ao Oi Futuro a ressonância dessa arbitrariedade no meio artistico.

Um grande abraço,
Ligia Canongia”

Tive a oportunidade de ver o vídeo Heartbeat, o que foi censurado (formado por uma série de fotos apresentadas em seqüência), na 29ª Bienal de São Paulo. Já admirava muito o trabalho dessa fotografa e ver esse trabalho foi uma ótima experiência. As fotos tem um olhar íntimo, como só seria possível em um ambiente conhecido. São situações extremamente humanas, com pessoas de verdade, pessoas lindas e complexas, fotografadas sem medo de supostos erros (partes estouradas, movimento, desfoque, cenas escuras).

O universo que ela retrata é, com freqüência, marginal. Sexo e drogas estão presentes, assim como casais homossexuais e travestis. A forma como essas pessoas e elementos aparecem, sem que sejam exotizados, é um aspecto que admiro bastante em seu trabalho.

Houve uma situação parecida que aconteceu em Brasília há alguns anos. A artista brasileira Márcia X (veja a postagem do vvv sobre ela aqui) teve um trabalho em que desenhava pênis utilizando terços censurado de uma exposição de arte erótica no CCBB. Artistas da cidade protestaram, mas o trabalho continuou de fora.

Dessa vez, pelo que diz a matéria da veja, a pressão deu certo em alguma medida e a exposição deverá ir para o MAM, no Rio de Janeiro. A Oi Futuro se mantém na decisão de não expor o trabalho da artista.

Me pergunto qual o espaço que artistas tem no Brasil para trabalhar questões de sexo, gênero e sexualidade se as instituições que podem expor seus trabalhos se baseiam em um moralismo nada laico…

 Tauana M.

Veja o que foi publicado sobre o assunto:

http://rede.outraspalavras.net/pontodecultura/2011/11/28/a-fotografa-polemica-que-a-oi-censurou-no-brasil/

http://www.supergiba.com/oi-futuro-censura-exposicao-de-nan-goldi/

http://oglobo.globo.com/cultura/exposicao-da-americana-nan-goldin-periga-nao-acontecer-3336112

http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/oi-futuro-desiste-de-suspender-patrocinio-a-exposicao-de-fotos-controversa-mas-disfarca-o-apoio

Entrevista com Zanele Muholi

A fotógrafa e ativista Zanele Muholi em entrevista à revista online “Pikara” comenta sobre seu trabalho e a violência contra mulheres e lésbicas na África.