Rosana Paulino

Rosana Paulino é artista plástica e educadora brasileira, investigando em sua obra questões ligadas a gênero e raça, especialmente com o tema da mulher negra no Brasil.  A artista costuma utilizar técnicas e objetos tradicionalmente ligados ao universo feminino das artes aplicadas, vistas como domésticas e, portanto, femininas, tais como costura e o bordado.

Rosana comenta a respeito de seu trabalho:

“[…]Olhar no espelho e me localizar em um mundo que muitas vezes se mostra preconceituoso e hostil é um desafio diário. Aceitar as regras impostas por um padrão de beleza ou de comportamento que traz muito preconceito, velado ou não, ou discutir esses padrões, eis a questão.
Dentro desse pensar, faz parte do meu fazer artístico apropriar-me de objetos do cotidiano ou elementos pouco valorizados para produzir meus trabalhos. Objetos banais, sem importância. utilizar-me de objetos do domínio quase exclusivo das mulheres. Utilizar-me de tecidos e linhas. Linhas que modificam o sentido, costurando novos significados, transformando um objeto banal, ridículo, alterando-o, tornando-o um elemento de violência, de repressão. O fio que torce, puxa, modifica o formato do rosto, produzindo bocas que não gritam, dando nós na garganta. Olhos costurados, fechados para o mundo e, principalmente, para sua condição de mundo. […] Gritar, mesmo que por outras bocas estampadas no tecido ou outros nomes na parede. Ele tem sido meu fazer, meu desafio, minha busca.”

Série "Bastidores" (1997)A artista, com seus trabalhos em pequena escala, tece uma política de dimensão íntima.

Na obra “Bastidores”(1997),  a violência simbólica aparece nas linhas que costuram as bocas e gargantas. Os bastidores, essa espécie de armação de madeira circular em que se prega o que se quer bordar, forma a moldura de uma condição: figuras de mulheres negras estampadas,  sem voz.  Esse ofício ligado a um corpo feminino silenciado, lugar de opressão.

Na obra “Sem título (da série As três Graças)” de 1998, o cabelo crespo é colocado lado a lado com um feixe de cabelo loiro e liso, confrontando uma  mentalidade colonialista e embranquecedora corrente no Brasil.

Série "As Três Graças"

A artista tece essas tramas simbólicas em seus bordados e costuras evidenciando enredamento do corpo da mulher negra em estereótipos perversos e coerções estéticas em que memórias pessoais esboçam um cenário político de opressão no país. E é no cotidiano e em seus objetos habituais que a artista trata a partir da sua própria condição, da violência histórica que assola a população negra.

Ana C.

 + inf.:

http://rosanapaulino.blogspot.com.br/

http://www.galeriavirgilio.com.br/artistas/rpaulino.html

Gego

 

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Nasceu em 1912, na Alemanha, faleceu em Caracas, Venezuela, em 1994.

Gertrude Goldschmidt, ou Gego, como ficou conhecida no meio artístico, passou a primeira parte de sua vida na Alemanha, onde se graduou em Arquitetura pela Universidade de Stuttgart. Pouco tempo depois de obtido o diploma os nazistas conquistavam poder e a segunda guerra mundial já dava seus prenúncios. Sendo de família judia, ela resolveu, em 1938, se mudar para Venezuela.

Nos primeiros anos em Caracas Gego trabalha como freelancer nas áreas de arquitetura e desenho industrial. Em 1952 ela consegue a cidadania Venezuelana. Nesse mesmo ano se muda para a cidade costeira de Tarma, onde desenvolve trabalhos de desenho, aquarela e gravura, com influência da arte concreta, mas procurando sempre encontrar seu próprio estilo.  Quatro anos depois ela participa do grupo Abstração Geométrica da Venezuela e em seguida expande seus trabalhos para o espaço tridimensional, o que parece uma conseqüência inevitável, tendo em  vista seus trabalhos bidimensionais. É quase como se as linhas já estivessem procurando se situar no espaço.

O amontoado de linhas, freqüente nos trabalhos de Gego, aparece ao mesmo tempo de forma caótica e organizada, formando diversos planos individualmente retilíneos, porém orgânicos no conjunto. Um exemplo dessa combinação improvável de elementos é a escultura Esfera, de 1976 (ao lado).

 Uma de suas séries que destoa um pouco do resto de seu trabalho é Dibujos sin papel [desenhos sem papel] (abaixo), de trabalhos produzidos entre 1976 e 1977, no qual utiliza arames, telas e outros materiais encontrados no lixo ou entulho de construções para desenhar no espaço. Por usar materiais diferentes as linhas se tornam retorcidas, com diversas espessuras e a repetição de formas ou linhas diminui bastante. Uma coisa que permanece, contudo, é uma certa base na arquitetura, que parece permear seu trabalho, sua forma de entender o espaço e sua forma de se expressar.

Gego expôs em diversas galerias por todo o mundo, inclusive na bienal de São Paulo, se dedicou ao ensino de artes na Universidade Central da Venezuela e no Instituto de Design de Caracas e esculpiu com linhas e com o ar. O espaço por ela ocupado passou a ser perceptível para quem transita cotidianamente por ele sem se dar conta de sua existência.

Tauana M.

Fonte:
Hillstrom, Laurie Collier; Hillstrom, Kvein (ed). Contemporary Women Artists. St James Press, 1999.

Links:
http://fundaciongego.com/
(em espanhol e inglês)
http://en.wikipedia.org/wiki/Gego
(em inglês)

Pílula: Isabel Ruiz

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Isabel Ruiz é um dos grandes nomes da arte guatemalteca contemporânea. Sua produção bastante ampla inclui gravuras, pinturas e instalações que já foram exibidas em uma longa lista de exposicões coletivas e individuais ocorridas em diversos países da América Latina e Europa. Sobre uma de suas instalações, onde pendura diversos panos brancos com textos ela diz:

Correr, huir, sobrevivir. Emigrar de un punto a otro ya sea con los pies o con el pensamiento, llevando sobre la espalda los estigmas que han marcado la historia colectiva de Guatemala, historia que habrá de reconstruirse en el presente y reinsertarse con el objeto de asumir una postura crítica que haga luz en medio de la confusión que se vive en este hermoso y horrendo país, como lo llama el poeta Otto Reni Castillo. Mi obra presente tiene por objeto sacudirme el miedo y la impotencia, enfrentándome a palabras sumamente dolorosas e impactantes como las que recojo en los pañuelos y que son la expresión descarnada de sobrevivientes de una guerra absurda. El pañuelo responde a la mano distante, es solidario del sudor y el llanto; responde por la voz ahogada, detiene la sangre y amengua la herida, en fin, el pañuelo es tanto como una bandera. La fuerza de las palabras que aquí se recogen, dejan de lado la metáfora para describir con la misma crudeza lo que se le hizo a una población indefensa. Este acto creador es mi parte de vida y al mismo tiempo mi aporte en la búsqueda de un mañana distinto. Creo que posiblemente el sostenimiento de la capacidad de asombro y la lucha por recuperar el derecho a soñar habrán de ser el enlace con las generaciones futuras.

Para saber mais:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag24ruiz.htm
http://dca.gob.gt:85/archivo/20110311/cultura.html
http://www.madc.cr/joomla151/index.php/arte-centroamericano-topmenu-77/artistas-de-guatemala/296-isabel-ruiz

Tomie Othake

Entrevista da coleção arte de bolso com a artista Tomie Othake aqui.

Hannah Brandt

Exposição da gravadora Hannah Brandt, no Conjunto Cultural da Caixa, em Brasília, em exibição até 29 de agosto.

Trecho do texto de apresentação da exposição

O branco e o preto tem destino certo. Percebe-se exatamente a medida e o contraste de tudo: a luz brota do papel e nos ajuda a conhecer melhor a sua trajetória que, em uníssono, junta-se á sombra, criando atmosferas mágicas de força e emoção.

Nas décadas de 1970 e 1980 a cor instaura-se na obra da artista. Agora já senhora da sua arte, Hannah Brandt passeia com desenvoltura pelos temas que lhe são caros: tem ingresso os conjuntos do homem chamado Jó, a representante dos sete dias do Gêneses, os universos mitológicos do Candomblé, os portões, telhados e formações rochosas que progridem e nos atraem sem meios-termos. Curioso notar é que entre esse caleidoscópio vibrante de temas fica clara a intenção de deixar aparente os veios da madeira, estes se fundem ao trabalho e o complementam corporificando a cena. (…)

Paulo Leonel Gomes Vergolino, Curador

Junho de 2010