A arte sem história – Mulheres artistas (sec. XVI – XVIII)

Texto (em PDF para baixar) escrito por Filipa Lowndes Vicente com base na exposicão ocorridaem Los Angeles, EUA, com o nome Mulheres Artistas 1550 – 1950

Filipa Vicente – Publicações 2005 nº1

Nus notórios: origens do nu feminino em Artes – (em inglês)

http://kelly-stemcosky.suite101.com/notorious-nudes-origins-of-the-female-nude-in-art-a366328

Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie fala sobre poder, estereótipos e, como o nome indica, sobre “o perigo de uma única história”.

O que ela fala (lindamente) sobre literatura pode ser facilmente pensado em relação as artes visuais e à produção visual como um todo. Nossas refêrencias principais também são européias ou estadunidenses e por isso nos é tão importante procurar conhecer artistas de outros lugares, contextos e perfis. O que sabemos, por exemplo, sobre as artistas Marta Minujín, Lygia Clark, Maria Martins, Remedios Varo, Maria Izquierdo, Lygia Pape, Mary Vieira, Marta Boto, todas latinoamericanas? O que sabemos sobre arte contemporânea nigeriana, tailandesa, paquistanesa, ou mesmo boliviana? Qual a nossa principal referência sobre o que vem a ser arte? Quem consagramos com os títulos inabaláves de gênios? Quantas histórias da arte conhecemos?

Escolhemos escrever sobre artistas mulheres justamente por perceber que elas frequentemente são vistas como amantes, mulheres, figurantes, assistentes, e não como as produtoras, artistas, compositoras, escritoras que também são. E sabemos que são muitos os grupos e identidades resumidos a um estereótipo, a uma única história, que devem ser conhecidos e reconhecidos em sua complexidade, para que nós (e nossos/as alunos/as) possamos ter uma visão mais mais completa das coisas.

Faz algum tempo que professores de artes, literatura e história precisam, no Brasil, abordar a produção africana e indígena brasileira, de acordo com as leis 10.693/03 e 11.645/08 (respectivamente) que modificam a lei 9.394 das diretrizes e bases da educação brasileira. Essas leis significam que professoras/es que já ensinam a muito tempo tem de procurar novas fontes e se embrenhar por caminhos provavelmente desconhecidos até então. Isso pode ser visto como uma tarefa enfadonha, como uma exigência a mais de profissionais sobrecarregados, que tem sua categoria desvalorizada de diversas formas e mais um monte de reclamações reais, mas também pode servir como impulso para procurar conhecer novas histórias, e, consequentemente, conhecer melhor o mundo – que, ao contrário do que autores de livros com títulos como História Mundial da Arte ou Historia Universal da arte pensam, não se resume a europa.

Então, pegando carona na fala de Chimamanda Adichie, faço um convite para procurarmos conhecer histórias tão diversas quanto for possível ao invés de reforçar “uma única história” sobre qualquer coisa, lugar ou grupo de pessoas.

Tauana M.