Anita Malfatti

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Anita Catarina Malfatti (02/12/1889 – 6/07/1964) foi pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora.

Estudou na Academia de Belas-Artes de Berlim, na Alemanha, e em Nova York, na Art Students League e depois na Independent School of Art.

Anita, muito antes da polêmica Semana de Arte Moderna de 1922, expôs obras modernistas no Brasil  e iniciou o processo de questionamento do academicismo vigente nas Artes Visuais brasileiras.

Sua exposição individual de 1917 provocou duras críticas do então crítico de arte Monteiro Lobato expressa no artigo “Paranóia ou mistificação?”* publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 20 de dezembro de 1917. Em seu artigo, Monteiro Lobato a acusa de ser evocando o cânone da dita arte “pura”, adjetivando a obra da artista como sendo caricatural e mistificadora. Apesar de não deixar de ressaltar os atributos artísticos “latentes” da artista, o Lobato criticou com veemência a identificação da artista com as vanguardas modernistas.

Verifica-se no trabalho posterior de Anita uma modificação orientada para uma arte de cunho mais realista, deixando de lado os experimentalismos de vanguarda. Essa reorientação é por vezes atribuída à referida crítica que a artista sofreu, que teria mudado drasticamente a sua carreira. Chiarelli (2008) questiona essa afirmação rejeitando a imagem recorrente , colocando que a mudança de Anita deveu-se ao fato de sua conexão com uma tendência internacional de recuperação da tradição realista num projeto de “escolas locais” antenado com as tendências nacionalistas na arte que relacionavam-se com a Primeira Guerra Mundial.

A exposição de Anita e a crítica mordaz e conservadora de Lobato criaram um ambiente propício de uma reação por parte das/os artistas a favor de uma arte brasileira moderna que resultaria enfim na Semana de Arte Moderna de 1922. Nesta, algumas obras da exposição de 1917 foram novamente expostas, integrando um total 20 trabalhos, entre eles O Homem Amarelo (1915/1916).

Em 1923, Anita ganha a bolsa do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo e embarca para Paris retornando ao Brasil em 1928. Posteriormente interessa-se por temas regionalistas, arte popular e arte naïf e se volta às formas tradicionais em Artes Visuais.

A fase mais (re)conhecida de Anita restringe-se à sua época de forte acento modernista expressionista experimental e a maior parte de sua produção posterior é tida como possuindo menos vigor criativo.

http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernismo/artistas/malfa/index.htm

http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/educativo/paranoia.html

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002008000100011

Ana C.