Angola – As mulheres e sua participação nas artes plásticas

O vídeo abaixo é uma reportagem que fala sobre as mulheres artistas de Angola, que contam com a galerista e artista Marcela Costa que ajudou a impulsionar a produção de algumas de suas conterrâneas.

Videoperformance


Letícia Parente
“Marca registrada”1975, 9min.
Câmera: Jom Tob Azulay

O vídeo é uma linguagem desde o início impura, híbrida, que opera  diversas vezes em cruzamentos com outras linguagens (MELLO, 2008). Uma dessa enorme gama de possibilidades foi chamada videoperformance, linguagem que o Dicionário de Novas Mídias define da seguinte forma: “Performance em que o artista incorpora uma filmadora ou equipamento de vídeo, e em que é dada à tecnologia uma posição tão proeminente quanto o corpo humano, como um complemento dele” (POISSANT, 2001 p.43-44).

Para Christine Mello (2008), a relação que se cria entre o/a performer e a câmera gera um terceiro corpo, meio máquina meio gente, de cuja síntese se tem a videoperformance. A partir daí pode-se pensar em uma possível diferença entre a videoperformance e o registro de performance, já que a primeira cria uma relação íntima do vídeo com o/a performer e a segunda pode ser feita mesmo sem seu conhecimento.

O registro seria, então, um mediador, um veículo para que se tenha acesso à ação, mesmo que de forma limitada, sem a amplitude toda do espaço, sem os cheiros, sem as energias presentes. A performance, nesse caso, seria o que aconteceu na frente da câmera.

A única vida da performance é no presente. A performance não pode ser salva, gravada, documentada, ou participar de outra forma na circulação de representações de representações: uma vez que o faz, ela se torna algo que não uma performance (PHELAN, 1993 p. 146) 

De acordo com a definição de Louise Poussant, os casos de performances em telepresença poderiam ser classificadas como videoperformances, mas, se forem pensadas enquanto performances, servem para bagunçar um pouco a posição de Peggy Phelan.

Passagens nº 1 – Anna Bella Geiger.
Brasil, 1974, 10min.

De forma geral, no entanto,  parece que os registros são uma forma de se ter contato com aquele trabalho por vias indiretas. De forma distinta, a videoperformance é pensada em relação ao vídeo, sendo este tão importante quanto a presença do corpo em si. O produto final, neste caso, não pode ser separado do vídeo, não existe sem ele.

A relação entre vídeo e performance vem de longa data, tendo sido muitas vezes o único mediador entre o trabalho e o público. Por todo o mundo houve diversas performances feitas em ateliês ou outros espaços reservados, com presença de poucas ou nenhuma pessoa (MELIN, 2008). No Brasil, essa prática foi bastante intensa a partir da década de 70, uma vez que o país se encontrava sob uma ditadura militar que reprimia severamente manifestações artísticas e de outras ordens. O vídeo foi, dessa forma, uma saída para que performers brasileiros continuassem produzindo seu trabalho. A prática do vídeo costumava, nesse primeiro momento, mostrar as ações de forma ininterrupta, permitindo um acesso mais próximo ao que seria a observação da performance em si. Com o passar do tempo, acabada a ditadura, as edições ficaram cada vez mais fragmentadas e dinâmicas, e as características da linguagem do vídeo foram cada vez mais exploradas (MELLO, 2008).

Tauana M.

(Texto retirado da monografia de graduação em bacharelado em artes plásticas)

Referências:
MELIM, Regina. Performance na artes visuais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
MELLO, Christiane. Extremidades do Vídeo. São Paulo: SENAC, 2008.
PHELAN, Peggy. The unmarked: the politics of performance. Londres: Routledge, 1993.
POISSANT, Louise. New Media Dictionary: Part II: Video. In Leonardo, v. 34 n. 1, fev. 2001. p. 41-44. Disponível em: http://muse.jhu.edu/journals/leonardo/v034/34.1dictionary.html

Para saber mais sobre o trabalho de Letícia Parente visite http://www.leticiaparente.net/

Vídeo de Passagens no. 1 de Anna Bella Geiger: http://www.youtube.com/watch?v=QfOU3UBImpg

Pílula: Beth Moyses

Entrevista da artista brasileira Beth Moyses a respeito de seu trabalho. No vídeo veem-se cenas da  performance “Memória do Afeto” realizada em frente a Catedral de Brasília, na Esplanada dos Ministérios.

+site da artista: http://www.bethmoyses.com.br

Coco Fusco

Trailer do documentário “I like girls in uniform” sobre a artista Coco Fusco e seu trabalho.

Ana Mendieta

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Nasceu em 1948, em Cuba e faleceu em 1985.

Artista cubano-americana que mudou-se para os EUA muito jovem. Realizou cerca de 80 vídeos em super 8 e diversas fotografias registrando suas performances. Trabalhou com performance, body art, desenho, escultura e site-specific. Desenvolveu seu próprio gênero artístico, a earth-body-art ou earth-body-sculpture, algo que fica no trânsito entre body art, site specific e land art.
Mendieta utiliza-se de materiais como sangue animal, pedras, grama e lama em suas performances, que sugerem uma organicidade, uma junção à natureza. Ela inscreve-se na terra ou marca uma silhueta difusa em fogo no ar. Dessa maneira fundindo-se ao ambiente, não tendo uma ação de modificação da natureza agressiva como por exemplo a de Robert Smithson, artista que trabalhava com o gênero land art, que usou escavadeiras e máquinas pesadas para construir a sua Spiral Jetty.
As inscrições e as marcas que realiza com seu corpo na “Série Silhouetas” entre 1973 a 1980 lembram inscrições, desenhos e registros de culturas ancestrais latino-americanas. Aliás, não por acaso, estas eram de seu absoluto interesse. A respeito de sua visita ao México a artista disse “mergulhar no México foi como voltar às origens, como conseguir um pouco de magia pelo simples fato de estar lᔹ.
A performance em si é efêmera, o ato performático é inapreensível por mais registros que se façam dele e também as silhouetas de Mendieta inscritas/desenhadas essas são efêmeras enquanto ato e enquanto resultado no ambiente.
A escolha da performance/body art como gênero artístico em si já deixa clara a intenção de dissolução das fronteiras entre arte e vida e a utilização de sangue vem colaborar para essa idéia, este enquanto elemento primordial da vida. Há então a tríade sangue/corpo/vida na obra de Ana.

A respeito da utilização do corpo por Ana Mendieta, Lucy Lippard faz a seguinte observação:

“no momento em que as mulheres usam o seu pró-

prio corpo na arte, estão usando na verdade o seu

próprio ser, fator psicológico da maior relevância,

pois assim convertem o seu rosto e o seu corpo de

objeto a sujeito”.

Lippard, Lucy. Ana Mendieta 1948-1985

(obituary). Art in America. November 1985,

p.190.

Além dos temas já citados, em suas obras a artista se debruça sobre questões de gênero como papéis sociais e violência contra a mulher. Na obra “Rape Scene”(Cena de estupro), de 1973 Mendieta aparece indefesa e ensangüentada sobre uma mesa. Comenta-se que a obra ocorreu dentro do contexto de um caso de estupro e assassinato na universidade que a artista freqüentava. A obra explicita violência contra a mulher mostrando algo que se assemelha a uma cena de estupro recém-descoberta pelas/os expectadores/fruidores. É possível colocar-se no olhar do estuprador, percebe-se o ambiente do crime. Torna a cena próxima às pessoas, pondo a/o participante no lugar do algoz. Seria uma sugestão da cumplicidade da sociedade com tais práticas?

Ana C.

¹ Mendieta, Ana.
Apud Wilson, Judith.
Ana Mendieta
Plants Her Garden.
The Village Voice.
13-19 de agosto de
1980, p. 71.
Links:
http://www.sfmoma.org/multimedia/videos/191 – 1976 video of the performance of Ana Mendieta’s Anima in Oaxaca, Mexico.
http://www.sfmoma.org/multimedia/videos/192 – 1974 video of the performance of Ana Mendieta’s Body Tracks.
http://www.sfmoma.org/multimedia/videos/193 – 1974 video of the performance of Ana Mendieta’s Burial Pyramid in Yagul, Mexico.
http://www.sfmoma.org/multimedia/videos/194 – 1975 video of the performance of Ana Mendieta’s Alma
Silueta en Fuego.
http://www.sfmoma.org/multimedia/videos/195 – 1974 video of the performance of Ana Mendieta’s Untitled.
http://www.learn.columbia.edu/fa/htm/fa_ck_mendieta_1.htm (fotografias)
Referências:
http://entretenimento.uol.com.br/27bienal/artistas/ana_mendieta.jhtm
http://www1.american.edu/cas/philorel/prominenthispanics/Mendieta.htm (em espanhol)
www2.sescsp.org.br/…/20060710_124405_Ens_AMendieta_GBrett_CVB_P.pdf
http://thepandorian.com/forum/ana-mendieta-untitled-rape-scene-by-bethan-troakes